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15 de out de 2014

As duas vidas do Souza

Souza tirava o vestido de Luzineide, quando ela parou e empurrou o amante :
- Me responde agora : ou ela  ou eu ?
- Não entendi. Ela quem ?
Luzineide colocou o vestido e recostou-se na cama :
- Não se faça de desentendido.....ou eu ou a sua esposa ?!
- Agora não é hora  disso. Vem cá que eu estou cheio de tesão.
-Me larga. Você não trepa comigo enquanto não decidir.
Souza ainda tentou continuar com os carinhos, mas Luzineide esfriou. Queria discutir a relação. Chateado, vestiu-se e deu um beijo na amante :
- Tchau. Outro dia a gente conversa.
Ela o  segurou pelo braço. Souza silenciou . Percebendo que não havia jeito, Luzineide jogou:
- Você tem um mês para decidir . Um mês ! Depois, você vai ter que escolher : ou ela ou eu !
A atitude da amante não o abalou. Chegou em casa e assim que abriu a porta , escutou a voz acolhedora  da esposa :
- A comida tá no microondas, é só esquentar.
Jantou na cozinha, em silêncio. Depois, como de costume, tomou banho, colocou água de colônia e deitou-se ao lado de Maria do Carmo. Encostou os pés frios nos pés quentinhos da esposa. Sentiu-se protegido :
- O que é  que você está assistindo ?
- Um filme....quer que eu troque de canal?
- Não...pode deixar. O importante é estar ao seu lado.
Adormeceu abraçado a Maria do Carmo. Pela manhã foi acordado com café  na cama :
- Nossa,  quanta mordomia ! – brincou
- Fazemos 18 anos de casados hoje! Esquecidinho, né ?
Combinaram jantar no restaurante preferido de Maria do Carmo. Souza amava a esposa. Mas também amava Luzineide. As duas o completavam. A esposa era o porto seguro. Luzineide o lado selvagem e irresponsável. Só que agora a amante o pressionava. Não saberia escolher. A adrenalina da bigamia o excitava. Escolher seria como amputar-lhe uma parte do corpo. Continuou visitando Luzineide às quintas-feiras, sem pensar em  prazo. Estranhamente, ela estava mais carinhosa :
- Pra mim o perfume ?
- Presente de aniversário de casamento. – Luzineide ironizou.
- Mas o que é que  eu vou dizer em casa chegando com esse perfume ?
- Diz que é presente de um cliente. Quando você quer, você  sabe mentir.
Passou a ganhar toda semana, roupas e cuecas novas. Luzineide queria que as roupas ficassem na casa dela, para quando ele se mudasse definitivamente.
A esposa também  lhe agradava com docinhos, comidinhas especiais e cócegas nos pés. Vaidoso, aceitava o carinho e sentia-se o maior amante do mundo.  “ As mulheres disputam meu amor.” – Pensava . “ Encontrara, enfim, a vida sonhada por todo homem”  – Acreditou.
Quando o prazo dado por Luzineide terminou, ela exigiu uma resposta. Souza disfarçou. Mas ela foi enfática :
- É tudo ou nada : ou eu ou ela ?
- As coisas não são bem assim.....você está se precipitando...
- Eu estipulei um prazo, Souza. Quero a resposta.
- Estamos felizes assim. Você nasceu para ser amante. Tem o dom. O traquejo.
- Isso é um deboche . Nenhuma mulher nasce para ser a outra. Responde !
Colocado contra a parede, escolheu não escolher . Com raiva da apatia do amante, expulsou-o aos gritos :
- Quem vai decidir essa situação sou eu ! Você vai ver ! EU !
Depois de uma noite insone, colocou as roupas de Souza em uma mala, e foi até a casa dele. Tocou a campanhia decidida . Maria do Carmo atendeu distraída. Surpreendeu-se com  Luzineide, que a empurrou e entrou na casa gritando :
- Tá vendo essa mala aqui ?
Maria do Carmo manteve-se  calma :
- Sim, o que é que tem ?
- São as roupas do SEU marido.
Abriu a mala e jogou tudo no chão :
- Tá vendo ? As roupas que ele usa quando vai lá em casa foder comigo...
Maria do Carmo olhava sem nada dizer. Luzineide falava compulsivamente. Contou  que eram amantes há seis anos e que se davam muito bem na cama. Quando silenciou, Maria do Carmo fez cara de enfado e perguntou  :
- Aceita um café ?
A amante bateu a porta e foi embora com raiva, sentindo uma ponta de inveja ao ver o equilíbrio da outra. “ Nem bonita ela é”  – pensou.
De noite, quando Souza chegou do trabalho, Maria do Carmo, numa calma cínica, mostrou as roupas  :
-  Hoje veio uma mocinha aqui muito nervosa  e deixou essas roupas pra você.....
Souza ficou vermelho. Tentou se explicar. Gaguejou. A esposa sorriu vitoriosa :
- Não precisa me explicar nada. Aproveita e usa essa camisa bonita no aniversário do seu irmão amanhã.
-  Não vai me xingar ? Me expulsar   ? Não está aborrecida ?
- Você é meu marido ! Dorme todas as noites comigo. Ela é vadia. Mulher da rua.   
E continuou a conversa tranquilamente :
- Olha só, até que a pobrezinha tem bom gosto !

O casamento não ficou abalado.
Decepcionada, Luzineide passou a desabafar suas desventuras amorosas com uma vizinha que fora abandonada pelo noivo. A dor as uniu. Nas noites solitárias, consolavam-se.  
Passada a raiva, ligou para Souza  e contou que estava transando com a vizinha. Para irritá-lo, disse que a mulher  era boa de cama  . Souza duvidou. Quis visitá-la. Luzineide aceitou. Durante o trajeto, pensava excitado, que ter duas mulheres era bom, três, então, seria encontrar o paraíso perdido. Deu um sorriso tarado e  acelerou o carro empolgado, pensando nas coxas grossas da amante.


2 de out de 2014

Fim de tarde

                                              

Cinco da tarde. Sexta-feira  de um verão quente. Final de férias. Eu estava sozinha na praia, sentada em uma  espreguiçadeira, com um livro entre as  mãos .  Muitos banhistas se arrumavam para ir embora. A preguiça tomou conta de mim. Olhava  o mar e pensava que as férias tinham passado sem  novidades.  Apesar do verão  me deixar excitada, andei bem calma sexualmente nas últimas semanas.  Procurava uma aventura. Torcia para encontrar um homem que me livrasse do tédio.  Pelo menos, por algumas horas. Os homens estavam tão iguais. 
 Foi então que eu  o vi.  Caminhava  em direção  ao mar. Alto. Pele bronzeada. Pernas musculosas. Tórax torneado  e barriga sarada. “ Um deus grego”  -  Suspirei.  Olhava os movimentos másculos dele, respirando fundo. Ele mergulhou, deu algumas braçadas em direção às ondas e  saiu da água sacudindo os cabelos. Na areia foi em direção ao vendedor de mate e aproximou-se de . Meu coração disparou. Pensei em segundos :  “ Seria a lei da atração funcionando  ?”
Simpático, ele sorriu e  puxou assunto. Falou sobre o final do verão  e do dia  puxado no trabalho. Eu escutava e fazia charme jogando os cabelos.  Ele sentou-se na areia ao meu lado e  esticou as pernas. Os pés dele roçaram de leve  nos meus. Senti  um  arrepio cheio de prazer.
Conversamos durante quase uma hora. Ficamos calados durante alguns segundos olhando para o mar. Ele olhou a hora no celular e comentou :
- Quase sete da noite. O  sol  está indo embora. O mergulho me fez bem. Já vou. Obrigado pela companhia.
Fiquei sem graça. Queria pedir o telefone. Flertar  um pouco mais . Decepcionada,  dei um sorriso de reprovação.
Ele se levantou, limpou a areia da sunga,  me deu dois beijos no rosto e saiu andando apressado .  Comecei a me arrumar para ir embora. Quanto vestia a saída de praia, senti alguém mexendo no meu cabelo. Era ele novamente.
- Desculpe, não sabia que também ia embora. Eu moro a cinco minutos daqui. Não quer me acompanhar ? Tomar uma cerveja no meu apartamento ? Um vinho....refrigerante....
-Aceito a cerveja.
Saímos da praia conversando como se fossemos velhos amigos. Quando cheguei até o apartamento dele,  já me sentia  à vontade. Ele convidou-me para sentar no sofá , confortável e espaçoso, no meio da sala  e abriu uma garrafa de cerveja.  Voltou da cozinha com uma bandeja apetitosa de frutas e perguntou se eu topava fazer uma brincadeira.


Aceitei. Ele então vendou meus olhos e passou a massagear meu corpo com um óleo afrodisíaco. Primeiro os pés. Uma massagem relaxante e intensa. Depois subiu pelas coxas, passou perto da minha vagina e subiu pelo meu umbigo. Gemi  de prazer :
- Assim você está me deixando louca. Que óleo é esse ?
- É um óleo mágico. Especial para mulheres especiais como você.
Fiquei em silêncio, enquanto ele massageava meus seios com as mãos fortes e ao mesmo tempo suaves.
Depois subiu e passou pela minha nuca, me virou de costas, tirou meu biquíni e subiu em mim enquanto massageava minhas costas e meus ombros. Pressionava seu membro de sunga por trás...
- Topa continuar  a brincadeira ?
Naquela hora,  eu toparia tudo. Então ele amarrou minhas mãos. Aquela sensação de escravidão foi me deixando excitada. Eu estava nas mãos dele. Olhos vendados. Mãos amarradas. Eu não tinha como sair dali. E não sentia vontade . Queria mais brincadeiras com aquele homem lindo e desconhecido.
Ele  colocou uma fruta na minha boca e disse :
- Se você acertar, escolhe um lugar do seu corpo para eu dar uma lambida. Se errar, quem escolhe sou eu , aceita?
- Já disse que aceito tudo com você.
A primeira fruta acertei.  Ele disse então que eu a saboreasse enquanto ele continuava a massagem. Aquele jogo estava me deixando muito excitada. Eu esfregava meu sexo no sofá dele e ansiava por ele dentro de mim. Mas ele queria brincar mais. Pedi que ele lambesse minha nuca. Ele intercalou entre lambidas aceleradas e lambidas lentas.

Depois da primeira fruta, ele colocou outra fruta na minha boca  e pediu que eu adivinhasse mais uma vez . Errei. Era Framboesa. Ele então pediu que eu lambesse seu tórax.  A brincadeira durou quase meia hora. Eu estava alucinada e excitada. Depois que ele passou mais óleo no meu corpo e me beijou com gosto de framboesa, Eu pedi que ele me penetrasse com os olhos vendados. Ele não quis. Disse que queria olhar nos meus olhos no momento do encaixe. Olhando dentro dos meus olhos, ele desatou os nós das minhas mãos e subiu em mim como um cavalo selvagem. Elegante e imponente. Os movimentos do corpo dele me deixaram em êxtase. Gozei duas vezes. Adormecemos nus e  espalhados no  confortável sofá.
Acordamos no início da manhã quando o sol já entrava pelas frestas da cortina. Eu me ajoelhei  no chão e comecei a chupá-lo  vagarosamente. Ele abriu os olhos e ficou em silêncio. Olhava  meus movimentos. Gozou silenciosamente. Mas eu não estava satisfeita. Aquele homem cheio de truques e ideias tinha despertado em mim um desejo incontrolável. Subi no sofá e comecei a me esfregar naquelas  coxas grossas e rijas. Logo  estávamos acesos  para uma nova rodada de sexo. Por algumas horas, encontrei a verdadeira  felicidade.

Passamos o sábado comendo frutas, bebendo vinho e transando.  Passava das  dez  da noite quando  me despedi , com a promessa de um novo encontro. Trocamos os números dos celulares . Ele me  pediu que eu não demorasse a voltar.

Na segunda-feira voltei a  trabalhar pensando naqueles momentos. A semana passou corrida. Muito  trabalho pendente. Fina l de semana me deu saudades.  Liguei pra ele. Celular fora de área.   Resolvi ir à praia domingo  e passar no prédio dele. O porteiro me recebeu.  Eu disse confiante  que subiria até o apartamento 603. Lembrei-me então que não sabia o nome dele.
O porteiro   me respondeu  que o apartamento estava alugado por temporada e que na quinta-feira, o inquilino  que morava lá ,  havia devolvido as chaves para o proprietário.

Saí do prédio com uma sensação de vazio. Desapontada.
Para me consolar , pensei : “ Quem sabe um dia ele não liga pra mim ?”
Embora soubesse que nunca mais iria vê-lo.