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26 de nov de 2013

Tá doendo.

Sábado chuvoso. As duas amigas chegaram juntas no restaurante. Iam almoçar e bater papo.  Escolheram a mesa de canto. A  mais discreta. Julieta queria paz.  Sentia-se desanimada. O coração estava apertado. Chamaram o garçom e pediram uma bebida. Assim que ele anotou o pedido e saiu, Regina olhou para a amiga e perguntou:
- Fala, amiga, o que aconteceu  ? Fiquei preocupada com a sua ligação.
 - Tá doendo.
- O quê ? Não entendi !? Você se machucou ?
- Muito,. E não tem remédio que dê jeito.
- Pelo menos almoça. Pediremos algo bem gostoso.
- Não sinto fome.
- Então é melhor suspendermos a bebida e procurarmos um médico.
-  Quero beber. Talvez seja a única maneira de passar a dor.
- Com bebida ? Nossa !! Parece conversa de bêbado. Dá para me explicar o que houve ?
-  O César terminou o noivado.
- Terminou ?  Ele bateu em você ?
- Não, né ??!!
-  Seja mais direta.
- Amiga, meu coração tá doendo.
- O que eu posso fazer por você ?
- Nada. Ninguém pode fazer nada. É esperar passar.
- Não tem chance de voltar ?
- Tentei a semana toda...a outra.. mais a outra...
- Então o jeito é esquecer.
- Não é tão fácil.
- Amiga, não tem outro jeito.
- Acredita que ele já tem outra ?
- Acredito.
- Estou mal. É ciúme. Raiva. Orgulho ferido. Tudo junto.
- Toda mulher passa por isso.
-Eu  não quero mais passar por isso. Tem horas que eu penso que o ar vai me faltar.
- Não é melhor procurar um psicólogo ?
-Se você me garantir que eu vou procurar um psicólogo e a dor vai passar.
- Não existe garantia.
-  Essa é uma dor que não passa com remédio. Nem como palavras. Só com a presença da pessoa.
- Sei...ou melhor, não sei. Nunca senti. Só quando o Fernando terminou comigo. Depois, nunca mais gostei de ninguém.
- Melhor coisa. Gostar e depois ter que desgostar é sofrimento.
- É uma emoção boa.
- Você é masoquista. Não tem nada de bom no sofrimento.
- Veja pelo lado positivo. Da próxima vez você não se entrega tanto.
- Não terá próxima vez. Não quero mais gostar de ninguém.
- É uma ótima opção.
- Só quero sexo casual agora.
- É...só que ninguém manda no coração.
- Vou mandar no meu.
- Não é tão simples assim.
- Como não ? O coração é meu. Agora  é só sexo.
- Tá bom . Não vamos discutir.
- Garçom, por favor, que horas você sai hoje ?
- Seis da tarde.
- Então eu te espero.
O garçom balançou a cabeça, entregou o pedido e saiu. Regina olhou para a amiga com olhar de espanto :
- Ei, o que você está pensando em fazer ?
-Isso mesmo que você imaginou. Agora é só sexo. Ele não é um gato ?
- Mas você não sabe se ele quer sair com você.
- Querida, eu vou pagar o motel, vou fazer sexo e nada mais. Qual o homem que não aceitaria ?
- Só quero ver. Depois me conta.
Ficaram bebendo até ás seis da tarde. Julieta e Regina saíram primeiro. Despediram-se. Julieta esperou o garçom e logo o convidou para esticar a noite no motel. Ele aceitou entre desconfiado e constrangido. 

Já no quarto do motel, ao ver o garçom nu, ela sentou-se na cama e começou a chorar pensando no noivo. A imagem do ex ia e voltava na cabeça dela, como se fosse uma cena de novela.
Espantado , o rapaz perguntou o motivo do choro. Entre soluços , ela respondeu   :
- Tá doendo.
- Aonde dói ? Posso ajudar ?
- No coração. Ninguém pode me ajudar.
- Então vamos embora ?!
- Não. Fica comigo. Dorme comigo. Eu só quero companhia.
- Tá bom.

O garçom ligou a televisão e ficou assistindo em silêncio. Vinte minutos depois, Julieta adormeceu.



3 comentários:

Mara Narciso disse...

Coisa de mulher desesperada e com o amor-próprio em frangalhos. Melhor ficar só. Apelar não resolve.

Conde Vlad disse...

Triste.

Imaginava um daqueles finais comédias que você sempre adota, porém, as vezes a realidade choca.

Beijão do Conde.

Anônimo disse...

Eu vivendo uma situação parecida e o pior de tudo to gravida mas to superando