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24 de set de 2013

A cueca do homem-aranha


Quando  Magali chegou do trabalho , a empregada  esperava por ela na porta da Vila :
- Aconteceu alguma coisa com o Flávio Augusto , Jandira  ?
-  Não senhora. Quero lhe mostrar uma coisa. Sem querer fazer fofoca, vem cá  , por favor.
Curiosa e ao mesmo tempo  apreensiva ,  acompanhou Jandira  até o terraço :
-  Fala logo,  pelo amor de Deus, o que houve ?
- Olha no  terraço da dona Matilde.....vê se a senhora reconhece alguma coisa pendurada no varal.......
Magali  colocou a mão na boca e gritou :
- Aquela cueca do homem aranha é do Flávio Augusto  !
- Reconheci logo . Sabia ! Eu que lavo as cuecas do patrão.
- O que a cueca do Flávio Augusto  faz  no varal dessa perua  ?

Antes da acusação sem provas, reviraram  a casa  procurando pela cueca.
Podiam estar enganadas. Mexeram nos armários do quarto, no cesto da  roupa suja, e até nos armários da cozinha. Nada.
- Será que foi trabalhar com ela ? Vou ligar para ele agora.

Flávio Augusto acabara de sair de uma reunião quando o celular tocou. Atendeu aflito. Muito ciumenta, a esposa o controlava vinte e quatro horas. Assim que ele disse alô , Magali  logo perguntou com voz desconfiada :

- Flávio Augusto, com que  cueca você foi trabalhar hoje ?

Ele deu um sorriso amarelo. Coçou a cabeça. Disfarçou.  O  chefe o  esperava ansioso.
- Responde , anda ! Tá pensando ? Não me faça de trouxa !

O chefe  olhava fixo .  Sem graça, Flávio Augusto falou  em tom formal :
-A  reunião acabou agora. Estou com o doutor  Jairo aqui na minha frente, vou até a sala dele e daqui a pouco  vou pra casa. Até logo mais  .
E desligou.
Ficou furiosa com o descaso do marido. Andava de um lado para o outro  á procura de uma idéia :
- Já sei, vou na casa dessa baranguete   ! É a cueca do Flávio Augusto, só pode !
- A senhora não vai fazer isso. E se não for  ? Imagina  o vexame ?

-  Jandira, raciocina : quem mais tem  cueca de homem aranha na Vila  ? A dona Otília tem 80 anos...o marido, quase noventa....Na casa oito, moram duas mulheres.....A Matilde é solteira.... Essa cueca é do Flávio Augusto ! Vou lá e é agora.

Quando a campanhia tocou, Matilde jantava . Abriu a porta de cara feia . As duas  tinham muitas  desavenças  :
- O que você quer comigo?
-Vim pegar a cueca do meu marido !
- Cueca do seu marido ? Qual é, sua doida, tá delirando  ?
- Aquela cueca pendurada  no seu varal  é do meu marido.
- Como é que você sabe ? Por acaso só o seu marido usa cueca no mundo ?
- Aqui na Vila só ele usa cueca do  homem aranha.  Caiu no seu terraço e você pegou para me provocar, mal amada.  
- Mal amada é você, sua chifruda...
Se agrediram com puxões de cabelo. A confusão só parou quando Jandira carregou  a patroa pelo braço :
- Dona Magali , que vexame ! Seu Flávio vai ficar aborrecido quando souber ...

Flávio Augusto  chegou do trabalho indignado :
 - Que história é essa de arrumar briga na vizinhança   ?

-As fofoqueiras já foram buzinar no seu ouvido  ?! Não vem com essa arrogância  pra cima de mim, não !  Quero saber o que a sua cueca do homem aranha faz no varal daquela perua !?

Flávio Augusto abaixou as calças:
- Olha aqui onde ela está encrenqueira !  E agora ? O que os vizinhos vão dizer ? Todo mundo  na Vila vai  saber que uso  cueca do homem aranha..

A esposa não se convenceu :
-  E por que você foi trabalhar com essa cueca ?
- Acordei com muito sono . Peguei a primeira   que vi pela  frente.  
Envergonhou-se pelas desconfianças sem fundamento .

No dia seguinte, na hora do  almoço, Magali resolveu fazer uma surpresa para o marido . Foi convidá-lo para almoçar . Flávio Augusto saía dirigindo o  carro, quando ela  chegou num táxi . Alertada pelo sexto sentido, mudou de planos :

- Moço , segue aquele carro  branco, por favor. Com cuidado !

Viu  o marido pegar Matilde no trabalho . Teve vontade de sair do táxi  e esmurrar os dois. Engoliu a raiva e controlou-se :
- Continua seguindo, por favor .
- A corrida vai sair  puxada.
- Vou pagar. Faz o que eu mando.

Flávio Augusto entrou num motel que oferecia almoço executivo grátis .
Humilhada e revoltada ainda pensou : “ –até com a amante esse miserável é sovina. “

Pagou o táxi e andou sem rumo  pela cidade. Não voltou para trabalhar . Fez compras e foi direto para casa.
Quando o marido chegou,  Magali  o esperava  vestida numa camisola vermelha sensual. Flávio Augusto estranhou a receptividade, o jantar á luz de velas e a comida preferida.
Estava cansado mas acreditava que  o sacrifício valeria a pena . Jantaram num clima romântico e foram para o quarto abraçados. O jantar e o vinho o excitaram .A esposa  estava carinhosíssima :

- Flavinho, minha vida , vai até o banheiro pegar meu óleo de banho.....

- O que você pretende fazer, hein  ? –  sorriu empolgado.

Fez biquinho e melou a voz :

- Quero massagear seu corpo gostoso.....


 Quando ficou sozinha, levantou o travesseiro e  lá estava a navalha : desafiadora,  com a lâmina brilhante e afiada .  Deu um sorriso vingativo , respirou fundo e suspendeu as sobrancelhas. 

12 de set de 2013

O beijo

                                                      
Já teclava com Rosane  há uns dois meses. Quando eu não tinha com quem conversar, me distraia fazendo sexo virtual com ela. Queria vê-la na cam. Não aceitou. Então trocamos apenas  fotos e ela ficou tarada em mim. Eu sou um homem bonito. Forte. Musculoso. E adoro tirar fotos de sunga. Ela não era bonita. Estava acima do peso. Fazia o estilo  gordinha simpática. Prefiro mulheres magras. Não é preconceito. É uma questão de preferência. Só que ela era diferente. Tinha o dom da escrita. Parecia uma escritora erótica experiente.
 A gordinha escrevia umas palavras quentes e apimentadas. Sabia usar com maestria,  verbos, pronomes e adjetivos . Tanto que me empolguei e passamos a conversar pelo  telefone. A voz dela era pastosa,  macia e feminina.  Eu ficava excitado com os gemidos e a respiração dela . Além disso, ela massageava o meu ego. E quando falava um monte de sacanagem, eu imaginava uma mulher com o corpo cheio de curvas e bunda empinada.
O problema é que, depois de uns três meses brincando e fantasiando, ela quis me conhecer. Eu fugia. Inventava uma desculpa.  A fantasia perderia a graça se nos encontrássemos. Nunca levei  uma gordinha pra cama. Não é meu estilo de mulher. E olha que tenho uma vida sexual ativa. Mas...e  se eu não gostasse dela e falhasse na hora  ? O medo de todo homem é falhar na hora da cama. Pelo menos o meu é.
Mas ela insistia. Dizia sonhar comigo. Chegou a  me oferecer  dinheiro. Falei que não precisava.  Ela fazia questão. Talvez um fetiche. Sei lá. Queria me usar como garoto de programa. Pagaria quatrocentos reais por uma transa  gostosa. A ideia de ganhar dinheiro para transar me excitou. Devo ter alma de gigolô ou coisa parecida. Seria uma experiência  diferente. Pedi 800 reais para ela desistir. Aceitou a proposta. Confessou que me achava gostoso demais e pagaria o que eu pedisse.Com medo, confesso, marquei o encontro. Resolvi desafiar meu tesão.
Marcamos o desafio sexual  para depois do almoço, na minha quitinete. Esperei-a na portaria.  Quando a vi , levei um susto. Ela não era gordinha, era gordona .  As fotos me enganaram. Assim que me viu, sorriu maliciosa. Ficou empolgada. Como não ficar ? Sou o sonho sexual de toda mulher. Ainda mais das carentes. Alto. Musculoso. Delicioso.  Ela  jamais conseguiria transar com um homem como eu, a não ser pagando e enganando como fez comigo . Naquele momento me senti um babaca. A gorda sorrindo pra mim e eu sem graça. Não sabia se meu pau levantaria.
Subimos no elevador em silêncio. Tentei me concentrar. Será que meu “ brinquedo” funcionaria ?
Assim que entramos na minha quitinete, me dei conta de  que só tinha uma camisinha.  Seria o suficiente -  pensei -.   Peguei a camisinha para colocar na hora, mas sem esperança de que acontecesse alguma coisa . Ela veio pra cima de mim e começou a me agarrar. Quando nos beijamos, me surpreendi. A gorda tinha um beijo delicioso.Molhado, uma boca macia.  Sem exagero, me lembrei  da Iracema de José De Alencar : “ A Virgem dos lábios de mel”.  O melhor beijo que dei até hoje . Meu brinquedo ficou de pé latejando . Alívio. Sabia que ele não me abandonaria. Gozei só com o beijo. Acreditem.
Excitado, levei a gorda pra cama e  coloquei-a de quatro. Aquela potranca com aquele rabão sorrindo pra mim, enlouqueceu meu brinquedo. Enfiei nela com atitude .  Mugia  igual a  uma vaca. Soquei o máximo que pude para satisfazer aquele rabo engordurado. Gozei.
A gorda não estava  satisfeita. Assim que me lavei e voltei pra cama, ela se animou e sentou em cima de mim. Falei pra ela que não dava. Não tinha mais camisinha.  Só que ela estava tão desesperada pelo meu cacete que queria se jogar em cima dele de qualquer jeito.  Recuei e com jeito, para não magoar, expliquei que teria que ser de outra maneira. “ Que tal se você me chupar ?” –  mandei com o pau  latejando, depois de mais um beijo longo e prazeroso.
Ela não se intimidou. Pegou meu brinquedinho e começou a chupar. O detalhe é que ela tinha os seios grandes e flácidos. Quando se abaixou para me chupar, eles roçaram  nas minhas coxas,  me fazendo cócegas . Acabei me desconcentrando.  Mas a gorda adorava chupar e caiu de boca com perfeição. Boquinha mágica. Logo, eu estava doido para gozar outra vez . Apesar dos seios me incomodando e tirando a concentração, gozei gostoso. Nem quis saber se ela gozou. Só de me ter nas mãos já era um prêmio.
 Ela saiu  e ainda deixou os 800 reais em cima da mesa . Estava  acostumada a pagar pelo prazer. Quando ela partiu, sorri aliviado.  Tinha sido uma prova e tanto para o meu pau. Ri orgulhoso. Ele saiu vencedor.

Alguns dias depois recebi uma mensagem carinhosa pelo celular. Era ela. Queria repetir. Ofereceu mil reais. Fiquei tentado. Mas aí já era demais.  Sumi. Duas vezes, não.


Precisava me preocupar com minhas novas conquistas. Gosto de novidade.