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22 de mai de 2013

A bola de cristal de Madame Daya


                                

Lucinda rói as unhas e olha o relógio todo hora. Cinco minutos depois, Yarinha   abre a porta e sai lentamente de cabeça baixa :
- E aí ? – pergunta Lucinda curiosa : Tudo bem ?
Yarinha pega um lenço e, enxugando as lágrimas, responde indignada :
- Três, Lucinda. O Waldemar não tem uma . Tem três amantes. TRÊS !
- A vidente falou o nome das amantes ?
- Não. Disse apenas que são três.
-  TRÊS ? Com aquela cara de santo ?
- Não existe homem santo. Santo tá no céu.
-  Tem certeza que essa Madame Daya é boa  ?
- Tenho. Três amigas  já se consultaram com ela. A bola de cristal de Madame é poderosa.
- Um dia pode errar.....
- Ela acertou a morte do meu cachorro, o meu sarampo na infância....
- Por que você não vai a outra ? Essas coisas precisam de confirmação.
- Nossa Lucinda, você está mais interessada do que eu que sou esposa.
Lucinda muda o discurso :
- Bem, se você tem certeza que são três, se fosse meu marido, eu matava !
-  Você é muito passional. Homem não gosta de mulher ciumenta. Por isso ficou solteirona.
- E o que você vai fazer ? Passar a mão na cabecinha dele e se culpar ?
- Não sei. Nessas horas mulher tem que usar  a cabeça e não o coração.
- Francamente, você acredita que o Waldemar tá podendo com três mulheres ?
- O que ela falou bate, Lucinda ! Justamente segundas, quartas e sextas, o Waldemar chega  em casa mais tarde. Está fazendo um curso. É o que diz.
Lucinda fica pensativa, morde os lábios e fala com ar despeitado :
- É....então bate. Você devia se orgulhar do Waldemar. Três, né ? E você ?
- O que é que tem eu ?
- Não transam ? Não rola nada ?
- Transamos. O meu dia é sábado. – Mente.
- Filho da mãe !
- O que você disse ?
- Nada. Pensando alto.
Se despedem. Lucinda pega o ônibus dizendo que tem consulta marcada com o médico. Yarinha sai caminhando pelo centro da cidade numa tranqüilidade falsa.  
Rodou duas horas pelas ruas do centro, olhando  vitrines e fazendo compras com o cartão de crédito de Waldemar. Antes de voltar pra casa, liga para ele :
- Oi, Wal !  Hoje é quarta. Vai ao curso ou vai direto  pra casa ?
Waldemar responde, impaciente :
- Você está cansada de saber que não falto as aulas. Não precisa deixar comida pra mim. Como alguma coisa na cantina do cursinho. – E desliga apressado.
Era assim que Waldemar  tratava Yarinha nos últimos seis meses. Com descaso e indelicadeza. Não iam mais ao cinema e sexo era uma vez ou outra. Num sábado, depois do almoço, Yarinha pegou-o olhando para o nada, com cara de apaixonado. E não era só isso, ainda havia a variedade de cuecas novas colocadas para lavar.
Aconselhada por uma vizinha, procurou Madame Daya apenas para confirmar o que já  desconfiava : o marido tinha uma amante.
Depois de tanto  andar pelas ruas da cidade, perdida em divagações, resolveu ir  pra casa da mãe. Dona Áurea não estava. Yarinha deitou-se no sofá e ligou a televisão. Antes de pegar no sono,  pensou em Madame Daya -  “ ela foi certeira.... e eu que não acreditava nessas coisas.”
Adormeceu sorrindo ironicamente.
Enquanto Yarinha dorme no sofá da mãe,  Waldemar sai do trabalho apressado, depois de receber uma ligação. Preso no trânsito, olha nervoso  para o relógio. O celular toca . Atende angustiado :
- Calma ! Estou chegando. Meia hora. Meia horinha só !

Estaciona o carro com pressa . Sobe  três andares pela  escada. Quando abre a porta do apartamento, Lucinda espera por ele, sentada no sofá e segurando um revólver com as duas mãos :
- Diz seu canalha !?  Quem são as outras duas amantes ! ?
Waldemar não entende :
- Que duas ? Tá maluca ? Só tenho você. Eu te amo !
O coração de Lucinda bate acelerado. Ela treme. Waldemar grita :
- Larga essa arma. Vamos conversar.
- Não largo. Eu sei de tudo. A bola de cristal de Madame Daya não mente.
Ele vai se aproximando para desarmar Lucinda :
- Quem é essa Madame  ? Vai , me dá essa arma.....abaixa a arma....

Lucinda treme. A garganta fica seca. Ela lembra das palavras de Yarinha :
 “ Três, Lucinda. O Waldemar não tem uma . Tem três amantes. TRÊS. “

Atira. Três tiros. Dois acertam a parede . O último atinge a cabeça de Waldemar.

Quando a mãe de Yarinha chega em casa, encontra a filha dormindo no sofá.

- Yarinha, minha filha, acorda....são quase oito da noite. Não vai pra casa ?

Yarinha levanta  sonolenta :
-  Ferrei no sono. Não preciso mais ir pra casa !
- Aconteceu alguma coisa  ?
- Descobri que Waldemar  me trai, mãe !
- Que vigarista. Se fosse comigo, matava !

A filha  dá um sorriso vingativo, aperta os olhos, passa a mão pelos cabelos e revela :

- Não precisa, mãe  !  Encontrei alguém que faça isso por mim !

A risada maquiavélica de Yarinha ecoa na pequena sala. 

6 de mai de 2013

Leonora


Levantei da cama  pensando em Leonora. Domingo ela acordava sempre ao meu lado. Afagava meus cabelos, colocava a mão no meu pau e dava um sorriso sacana. Eu ficava louco de tesão, sentindo as  mãos macias dela,  me apertando. O  cheiro de amêndoas do corpo de Leonora, aumentava a minha vontade de trepar .  Transávamos em meio a preguiça matinal , e em seguida, alegre e cheio de energia,  eu fazia um café com direito a frutas , pão , queijo, presunto, suco e geléia .  Comíamos na cama, assistindo televisão e fazendo brincadeirinhas sexuais .
 Praticávamos um ritual dominical. Pela manhã caminhávamos  pela orla e no início da tarde, almoçávamos no restaurante preferido de Leonora e depois de nova caminhada, voltávamos para o meu apartamento . Ela tirava a roupa , simulando um striptease  e transávamos no sofá. Depois, em meio a preguiçosa tarde de domingo,  Leonora lia em voz alta , o trecho de alguns poemas russos . Adorava poesias. Eu nunca fui muito fã, mas meu amor por  Leonora , me fazia prestar atenção em cada palavra saída daqueles lábios carnudos com gosto de sexo. No início da noite batia uma nostalgia. Fazíamos um lanche e  Leonora  despedia-se com um beijo molhado, combinando o próximo encontro :
- Sábado eu volto. A gente se fala durante a semana.
Eu era feliz assim. Não existia cobrança nem planos para o futuro. Só muitas descobertas e  bons momentos juntos .  Mas eu magoei  Leonora, e ela   partiu.  Podíamos estar juntos até hoje se ela  perdoasse meus  pequenos deslizes masculinos. Dizem que o verdadeiro amor não perdoa. Talvez Leonora me amasse de verdade.
Nossa relação começou a mudar numa noite de sexta-feira chuvosa. Seria mais um daqueles finais de semana cheios de romance. O problema foi  quando ela  chegou no meu apartamento , acompanhada de uma amiga. A linda Sofia. Dezenove aninhos. Corpo cheio de curvas, coxas grossas,cabelos dourados e longos. Eu acabara de tomar um banho, depois de um dia longo e cansativo no trabalho e estava de roupão, preparando alguma coisa para comermos. A campanhia tocou,  abri a porta e dei  de cara com  Leonora  e sua linda  amiga :
- Amor, essa é a Sofia. Aquela amiga de faculdade. Lembra ?
- Não lembro, mas podem entrar. Fiquem á vontade.
- Amor, a Sofia  vai dormir aqui hoje.  A gente faz uma cama pra ela na sala. Ela e o namorado brigaram e ela não quer voltar pra casa.
- Por mim tudo bem. Pega os lençóis no armário e arruma uma cama ai no sofá. Tem travesseiro também.
Namoradas não deviam ter amigas bonitas. Enquanto jantávamos, eu reparava o rosto de Sofia uma boneca. Daquelas  bem delicadas.  “ Qual homem louco poderia brigar com uma coisinha tão deliciosa  ?”
Para comemorar a visita de Sofia, abri um vinho. Bebemos até uma da manhã. Leonora foi até meu quarto pegar os lençóis para arrumar a cama de Sofia. Fiquei na sala com ela.
Enquanto eu fechava a janela, Sofia ajeitava o sofá de costas pra mim . A saia curta deixava a bunda da amiga da minha namorada de fora. Parecia um convite. Fiquei louco e com vontade de me atirar naquela bunda e morder. Sofia se virou de repente e reparou que eu olhava para o traseiro dela.  Maliciosa, se aproximou e disse baixinho, com voz rouca, no meu ouvido :
- Se você não fosse namorado  da Leonora, eu transava com você.
Fiquei sem fôlego. “Linda e ousada.” – pensei.  Olhei  novamente  para aquele  traseiro esculpido  e perguntei :
- Posso ?
Ela pegou minha mão e colocou no traseiro dela. Apertei  com vontade. Parecia apertar uma bola de borracha. Apertava e ela gemia.
De repente escutei um barulho. Era Leonara fechando os armários. Empurrei  Sofia e ordenei :
- Senta no sofá. Anda.
Aproximei-me da estante, peguei um livro e fingi que folheava para disfarçar meu constrangimento. Leonora entrou na sala com dois lençóis e um travesseiro nas mãos e sorriu pra mim :
- É de poesia ?
- Sim. Fernando Pessoa.
- Senta . Vou ler pra você.
Sentei-me ao lado de Sofia. Enquanto Leonora lia e interpretava o poema de Pessoa, eu pensava no traseiro de Sofia. Eu sentia que a respiração dela estava ofegante. Pedi licença as duas e fui ao banheiro  . Toquei uma punheta para afogar meu desespero.
Voltei pra sala e vi  Leonora  ajudando Sofia a transformar o sofá em uma cama. Dei boa noite e fui dormir. Apaguei a luz e quando Leonora entrou, fingi que já estava dormindo. Ela tocou no meu pau. Ele despertou. Transamos. Eu pensei o tempo todo no traseiro de Sofia.
Durante a noite me levantei para beber água e passei pela  sala . Sofia dormia igual a uma anjinha . Tive vontade de me aproximar, mas fiquei com medo de Leonora aparecer. Voltei da cozinha e corri o risco. Fiquei  em pé, ao lado do sofá.  Levantei a coberta e toquei de leve nas coxas grossas da amiga de Leonora. Ela gemeu e virou-se de lado. O traseiro ficou na minha direção. Enfiei a mão por baixo da calcinha minúscula de Sofia e apertei  aquele traseiro convidativo e cheio de luxúria. Quando tirei a mão, ela pegou e pediu :
- Faz mais. Eu quero mais.
Continuei  chafurdando minhas mãos naquela bunda gostosa. Estava quase me deitando ao lado dela quando escutei um barulho vindo do quarto. O abajur acendeu.  Levantei-me apressadamente e voltei para dormir. Leonora resmungou alguma coisa, apagou a luz do abajur e voltou a dormir.  Deitei ao lado dela e apaguei. O sábado passou rápido. Adiantei algumas coisas do trabalho, enquanto Sofia e Leonora ficaram vendo filmes.  O domingo foi um tormento pra mim. Sofia desfilou aquele traseiro pela minha casa e quando Leonora se distraía, ela provocava . Leonora  parecia não perceber.
 As duas foram embora no final da tarde. Quase pedi o telefone de Sofia. Achei arriscado. Eu amava Leonora. A outra representava apenas um traseiro.
 Na semana seguinte Leonora chegou  sozinha. Era um alívio pra mim ao mesmo tempo , uma decepção. Não precisaria segurar o meu tesão por Sofia mas não veria aquela bela bunda desfilando pelo meu apartamento. Resolvi pegar umas fitas pornôs para assistir com Leonora. Uma forma de esquentar a relação. Abri um vinho, começamos a beber vendo as fitas e logo estávamos excitados. O efeito do vinho me deu coragem para  fazer perguntas, indiscretas :
- Leonora ?
- Fala amor.
- Você tem alguma fantasia sexual ?
Ela pensou durante algum tempo. Bebeu um gole de vinho, parou o filme e me perguntou :
- E você, tem ?
- Eu gostaria de transar com você e com outra mulher.
- Todo homem tem essa fantasia.
- Você toparia ?
Leonora não me respondeu logo. Encheu nossos copos de vinho . Bebeu um pouco mais e pediu :
- Vai, me beija. Esquece esse assunto.
- Só me responde. Anda. Diz.
- Bom...se você quisesse, só uma vez para te deixar feliz.
Ela riu e jogou os cabelos de lado, fez charme  e  tentou mudar de assunto.  O vinho já tinha me deixado muito excitado, acabei falando demais saiu sem querer. Na empolgação :
- Eu quero uma vez só. E já sei até quem pode ser a terceira pessoa.
Leonora  parou e mordeu os lábios. Em seguida franziu a testa. Durante um tempo procurou a resposta na parede.
- Fala, quem, Mário ? Quem ?
- Sua amiga Sofia.
Leonora se transformou. Não esperava aquela reação intempestiva. Ela se levantou do chão, socou a parede, jogou a taça de vinho na estante e gritou :
- Eu sabia. Naquele sábado você comeu a Sofia. Seu tarado ! Traidor !
Tentei contei a ira de Leonora :
-Não , meu amor, nada disso. Eu não transei com a sua amiga. Foi só uma ideia. Se você não quer, vamos esquecer  essa história agora.
- Transou , sim. Durante toda a semana ela ficou me jogando indiretas. Vocês são dois filhos da puta. Eu nunca mais quero olhar na sua cara ! Tá entendendo ? Nunca mais ! Dá minha roupa aqui.
- Calma, Leonora, não precisa disso.
Leonora se vestiu, enquanto chorava. Eu tentei consertar a besteira que eu tinha feito.  Tarde demais. Despertar o ciúme da mulher amada ou é morte ou separação. Ela me  empurrou, abriu a porta do meu apartamento e se foi.
Desde aquele maldito dia, nunca mais vi Leonora. Não me atende nos telefones. Nunca está em  casa  e fui impedido de entrar no trabalho dela.
Eu tenho uma  saudade da porra dela. Do cheiro. Do hálito. Das risadas.  O que me consola, é que de vez em quando, eu como a bunda da Sofia. Hoje que a saudade apertou, vou ligar para ela. Assim conversamos, bebemos, brincamos e logo esqueço da minha meiga e decidida  Leonora.  Sofia aposta que um dia eu vou esquecê-la. As duas também nunca mais se falaram.
Quando , enfim, não restar mais nenhuma lembrança de Leonora,  eu  deixo de comer a bunda da Sofia.
 Tá combinado.