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26 de nov de 2013

Tá doendo.

Sábado chuvoso. As duas amigas chegaram juntas no restaurante. Iam almoçar e bater papo.  Escolheram a mesa de canto. A  mais discreta. Julieta queria paz.  Sentia-se desanimada. O coração estava apertado. Chamaram o garçom e pediram uma bebida. Assim que ele anotou o pedido e saiu, Regina olhou para a amiga e perguntou:
- Fala, amiga, o que aconteceu  ? Fiquei preocupada com a sua ligação.
 - Tá doendo.
- O quê ? Não entendi !? Você se machucou ?
- Muito,. E não tem remédio que dê jeito.
- Pelo menos almoça. Pediremos algo bem gostoso.
- Não sinto fome.
- Então é melhor suspendermos a bebida e procurarmos um médico.
-  Quero beber. Talvez seja a única maneira de passar a dor.
- Com bebida ? Nossa !! Parece conversa de bêbado. Dá para me explicar o que houve ?
-  O César terminou o noivado.
- Terminou ?  Ele bateu em você ?
- Não, né ??!!
-  Seja mais direta.
- Amiga, meu coração tá doendo.
- O que eu posso fazer por você ?
- Nada. Ninguém pode fazer nada. É esperar passar.
- Não tem chance de voltar ?
- Tentei a semana toda...a outra.. mais a outra...
- Então o jeito é esquecer.
- Não é tão fácil.
- Amiga, não tem outro jeito.
- Acredita que ele já tem outra ?
- Acredito.
- Estou mal. É ciúme. Raiva. Orgulho ferido. Tudo junto.
- Toda mulher passa por isso.
-Eu  não quero mais passar por isso. Tem horas que eu penso que o ar vai me faltar.
- Não é melhor procurar um psicólogo ?
-Se você me garantir que eu vou procurar um psicólogo e a dor vai passar.
- Não existe garantia.
-  Essa é uma dor que não passa com remédio. Nem como palavras. Só com a presença da pessoa.
- Sei...ou melhor, não sei. Nunca senti. Só quando o Fernando terminou comigo. Depois, nunca mais gostei de ninguém.
- Melhor coisa. Gostar e depois ter que desgostar é sofrimento.
- É uma emoção boa.
- Você é masoquista. Não tem nada de bom no sofrimento.
- Veja pelo lado positivo. Da próxima vez você não se entrega tanto.
- Não terá próxima vez. Não quero mais gostar de ninguém.
- É uma ótima opção.
- Só quero sexo casual agora.
- É...só que ninguém manda no coração.
- Vou mandar no meu.
- Não é tão simples assim.
- Como não ? O coração é meu. Agora  é só sexo.
- Tá bom . Não vamos discutir.
- Garçom, por favor, que horas você sai hoje ?
- Seis da tarde.
- Então eu te espero.
O garçom balançou a cabeça, entregou o pedido e saiu. Regina olhou para a amiga com olhar de espanto :
- Ei, o que você está pensando em fazer ?
-Isso mesmo que você imaginou. Agora é só sexo. Ele não é um gato ?
- Mas você não sabe se ele quer sair com você.
- Querida, eu vou pagar o motel, vou fazer sexo e nada mais. Qual o homem que não aceitaria ?
- Só quero ver. Depois me conta.
Ficaram bebendo até ás seis da tarde. Julieta e Regina saíram primeiro. Despediram-se. Julieta esperou o garçom e logo o convidou para esticar a noite no motel. Ele aceitou entre desconfiado e constrangido. 

Já no quarto do motel, ao ver o garçom nu, ela sentou-se na cama e começou a chorar pensando no noivo. A imagem do ex ia e voltava na cabeça dela, como se fosse uma cena de novela.
Espantado , o rapaz perguntou o motivo do choro. Entre soluços , ela respondeu   :
- Tá doendo.
- Aonde dói ? Posso ajudar ?
- No coração. Ninguém pode me ajudar.
- Então vamos embora ?!
- Não. Fica comigo. Dorme comigo. Eu só quero companhia.
- Tá bom.

O garçom ligou a televisão e ficou assistindo em silêncio. Vinte minutos depois, Julieta adormeceu.



19 de nov de 2013

A festa do meu melhor amigo


Como sempre fazia, saí do apartamento me ajeitando. Coloquei  o tênis no elevador. Cheguei à  garagem  e procurei na mochila a chave do carro. Joguei  minha mochila de estimação  no banco de trás e enfiei a chave na ignição. Girei e dei a partida. Estava indo pra casa do meu melhor amigo. Aniversário de 35 anos. Jonas era bem casado há cinco anos. Ao contrário de mim. Aos 33, continuo solteiro e feliz. Tive poucos namoros sérios, uns três,  e vários  casos.  As mulheres me fascinam,  me adoram , mas me chamam de problemático.  Devo ser. Não consigo manter relacionamentos a  longo prazo. Não sei se o problema é meu, ou delas. Talvez seja o ciúme. Mulheres são muito ciumentas. Detesto ciúme e quando sou cobrado, tenho crises de ansiedade. Não demoro muito a trocar uma pela outra. Talvez seja por isso, que eu  estou cada  vez mais entediado, amorosamente.

Cheguei  a casa de Jonas meia hora depois de vários sinais fechados e interessantes  digressões. Não gosto de festas. Muito sorriso falso e pouco calor humano. Mulheres  com roupas mínimas, cabelos esvoaçantes e coloridos e bocas vermelhas e desfrutáveis. E claro, o melhor,  amigos e bebidas. É o que me conforta. Não, não sou machista e nem é minha intenção denegrir a imagem do sexo feminino. Sou mesmo é entediado.

Fui recebido por Jonas e percebi assim que pisei na sala,  o olhar devastador de uma morena alta, de cabelos lisos e longos.  Apesar do meu ar blasé, faço sucesso com as mulheres.  Sou bonito . Pense num homem bonito. Sou exatamente como você me imaginou. Além de bonito, tenho um olhar distante e misterioso. Enlouqueço as mulheres com meu charme. Distribuo carinho , atenção e um bom sexo.  Mas minha empolgação tem  prazo de  validade . Um iogurte no supermercado ,em época de promoção, talvez seja mais vantajoso. Ou a tinta de uma caneta vagabunda.

Como disse antes, enjoo rápido das mulheres, aliás, de quase tudo. Vivo trocando de emprego, apartamentos, carros e não tenho paciência para digressões alheias. Ás vezes, nem as minhas  . Jonas aconselha-me dizendo que sou muito jovem para  tanto ranzinismo. Mas não dá para me transformar em alguém que não sou. Nem  faço questão de ser de outro jeito.

Voltemos ao aniversário do meu amigo.

Eu e Jonas trocamos informações e depois de cumprimentar alguns amigos, peguei  uma bebida e fui para a varanda conversar com um colega  da época da faculdade. Cinco minutos depois apareceu a morena de cabelos longos . A do olhar devastador. Ela vestia  um  short jeans,  sandálias  de salto alto  e uma blusa frente única. Fez questão de colocar os  cabelos na frente e deixar as costas nuas,  para mostrar a tatuagem da deusa têmis, imagem mitológica , representante da justiça.


Enquanto meu colega discursava, indignado, com a  atual situação do país , eu me distraía com o jogo de cintura da morena : “ por que fez questão de me mostrar a tatuagem ?” Talvez quisesse se exibir. Mostrar  que era advogada. Inteligente. Engajada em alguma causa. Direitos Humanos. Quem sabe ? Agora é moda.

Talvez quisesse me dizer que não era vazia. Sabia conversar. Mulheres que sabem conversar são problemáticas. No início até gosto de ouvi-las. mas um mês depois ficam chatas e repetitivas . Não param de falar. Desisti. Jamais sairia com uma mulher tatuada com o símbolo da justiça. Sim, já me chamaram de machista . Não ligo. Devo ser mesmo. Será  pecado ? Se for, então sou um grande pecador. E se existe mesmo o tal de céu e inferno, meu lugar no inferno  estará reservado. Com certeza ao  lado de mulheres bonitas.

Enquanto eu pensava,  meu colega falava. Eu não prestava atenção. Só balançava a cabeça. Estava numa briga invisível com a morena. Ela se aproximava , com as costas nuas e eu recuava. Não estava interessado na tatuagem dela e se antes a achava  bonita, depois de tanto se oferecer, perdi o interesse.  Dei uma de antipático. Chamei meu amigo para pegarmos uma bebida e me afastei. Mulheres oferecidas e atrevidas me causam tédio. Gosto da paquera sutil. Da troca de olhares. De sedução elegante. Sedução barata não me agrada. Ainda tentei mais duas paqueras. Uma ruiva com a pele cheia de sardas. Fumava e bebia muito. Detesto fumaça de cigarro.A  outra era magrinha, cabelinhos pretos e curtos. Muito sorridente. Trocamos alguns olhares. Mas  o relógio deu o sinal . Três da madrugada. Hora de voltar para o conforto do meu apartamento. Ligar meu ar. Esticar minhas pernas.


Saí sem me despedir. Jonas estava acostumado. Não iria reparar na minha ausência. Talvez a tatuada reparasse. Sentiu-se rejeitada. Não parava de me olhar. Passou por mim duas vezes e da segunda vez, esbarrou em meu braço, derrubando meu copo. Foi quando olhei o relógio e decidi  ir embora. Ao mesmo tempo que admiro as mulheres, me entedio fácil . Minhas amigas feministas vivem me criticando. Levei  todas elas  pra cama. Nunca me apaixonei . Até me esforcei. Fiz poemas . Rimava palavras, olhando a chuva batendo no vidro da janela. Nunca saiu nada de bom. Não tenho talento para a poesia. Talvez o tédio me paralise. Não sei. Não procuro saber.

Abri a porta do apartamento e me senti aliviado por estar seguro sem precisar ser agradável. Sim, sou fóbico. Tenho fobia a chatice. Lugares com muita gente e falatório além do suportável. Sinto-me mais confortável quando estou  sozinho. Em paz.

E assim fiquei.

Banho tomado, deitado na cama, luz do abajur acesa, pernas esticadas, peguei um livro na mesa de cabeceira, entre vários que aguardavam na fila. Escolhi um  de Freud, A interpretação dos sonhos. Estava curioso. Nos dois últimos meses  sonhava muito com castelos e bosques. Era um sonho repetitivo e chato. Acordava sufocado. Como se tivesse uma  espada na minha garganta. Talvez a leitura me desse respostas. Poderia ser um desejo reprimido . Quem sabe ? Ou uma raiva contida. Vontade de voltar à Idade Média . Teria eu vivido outras vidas ? Ou sonho não passa de sonho e não  tem explicação ?

Freud poderia me dar algum  diagnóstico ?

Dormi na terceira página. Sonhei com um castelo no alto de uma montanha. Acordei com a garganta seca.

14 de out de 2013

Sábado à noite

                                                      
Tarde de sábado com céu encoberto. Depois do almoço, Tavares  ligou a televisão e deitou-se no sofá. Assim que se recostou nas almofadas, Marilena apareceu na sala :
- O que vamos fazer hoje à noite ?
- Ficar em casa. – Respondeu Tavares sem tirar os olhos da televisão.
-  Ah não ! Trabalho a semana inteira, sábado quero me distrair, nada de ficar em casa.
- E o que você sugere  ?– Perguntou Tavares entediado.
- Que tal irmos ao  motel ?.- Falou cheia de expectativa .
O marido passou a mão no queixo e antes de responder, moveu os lábios de um lado para o outro  :
- Mulher tem cada uma ! Temos uma cama no quarto onde fazemos  tudo o que se faz num motel e de graça.
Marilena  respirou fundo e deu outra sugestão :
- Que tal irmos ao cinema ?
- Hoje ? Fica muito cheio e eu não gosto da turma da pipoca. Aquele saco faz barulho. É pipoca voando na minha  cabeça, gente atendendo celular no meio da sessão. Cinema sábado é programa de índio.
- Então que tal visitarmos minha irmã ? .
-  Nada disso. O clima entre ela e o Aderbal não anda nada bom. Vai sobrar pra gente.
- Nossa Tavares, tudo tem problema  ! Então vamos sair para comer uma pizza ?!
-  Melhor pedir pelo telefone. Tô com preguiça de tirar o carro da garagem e trocar de roupa.
- Então faremos o quê ?
- Você eu não sei . Eu vou ficar em casa,  no meu sofazinho, vendo minha televisão.
- Então eu vou ligar para a Adélia. Vou chamá-la para ir ao cinema.
- Vai sim. Vai  se distrair. Você sabe que eu não me incomodo.
Marilena saiu da sala e foi para o quarto telefonar. Tavares, aliviado, virou pro lado e adormeceu com a televisão  ligada.
Por volta das oito da noite,  Marilena apareceu na sala e se despediu do marido .
- Estou indo. Se tiver com fome tem sanduíche.
Tavares fingiu interesse e  comentou, displicente :
- Que horas você volta ?
- A sessão começa ás nove. Depois vou lanchar com a Adélia. Devo chegar meia-noite.
- Vai de carro ou de táxi ?
- A Adélia vai passar na esquina  pra me pegar. Deixa eu ir. Estou atrasada. Tchau.
Assim que a mulher saiu, Tavares pegou o telefone e  fez uma ligação :
- Ela já foi. Vem pra cá. Temos até meia –noite. Traga o material.
Desligou esfregando as mãos, empolgado. Foi até a geladeira, pegou uma cerveja  e tomou o primeiro gole com satisfação. A campanhia tocou. Tavares correu para atender. Era o vizinho Arnaldo  que foi entrando  sem pedir licença :
- Ô rapaz, você não sabe onde colocou as peças?
- Acho que a  Marilena sumiu com elas. Você trouxe ?
- Claro. E  eu vacilo ? Tá tudo aqui.
- Então vamos começar o jogo, que hoje lhe dou um mate pastor. – E riu com ar desafiador.
Enquanto Tavares e Arnaldo iniciavam a partida de xadrez, Marilena entrava no carro de Serginho, filho de Arnaldo :
- Tem certeza de que seu pai não desconfia de nada?
- Tenho. Ele é muito desligado!
- Será que ele  foi  lá pra casa jogar xadrez com o Tavares  ?
- Com certeza. Falou na revanche a semana inteira.
Riram com ar de cumplicidade. Marilena beijou Serginho, carinhosamente  :
- Vamos nos divertir muito hoje. Em qual motel nós vamos ?
- Que tal naquele com cadeira erótica ?
- Adoro. Ele tem aquela  cascata colorida, que me faz sentir uma estrela em hollywood !
- Trouxe o  talão de cheques ?
- Claro, Serginho. Não precisa se preocupar.
- E a Adélia ? Vamos pegá-la na esquina de casa ?
- Não, ela está esperando no lugar de sempre. O marido é desconfiadíssimo.
Serginho pigarreou,  se ajeitou no banco do motorista, deu uma olhada no espelho e depois de mexer nos cabelos, pensou que, para os seus vinte e dois anos de idade, passar a noite de sábado com duas coroas fogosas , era muito excitante. Embriagada pela promessa de momentos de prazer, Marilena comentou com ar sonhador olhando pela janela :
- O tempo está melhorando. Acho que amanhã vai fazer sol.

Serginho sorriu  e ligou o rádio. A voz da cantora Ana Carolina tomou conta do ambiente.  Seguiram acompanhando a música  em pensamento, excitados com a idéia de viverem , mais uma vez, o doce sabor do pecado.

5 de out de 2013

Os seios

A última vez que Olavo olhou no relógio ia dar cinco horas da manhã. Sete horas, teria que acordar para trabalhar. Rolou na cama a noite toda. Não conseguia parar de pensar nos seios de Elisa. Elisa era a irmã mais nova de sua namorada, Roberta. A moça de vinte anos, além de bonita, sorriso perfeito, olhos verdes e longos cabelos loiros, tinha os seios rijos. Os bicos pareciam luzes coloridas piscando na direção dele. A visão daqueles doces e convidativos seios, o deixou alucinado. Ele não conseguiu mais se esquecer do dia  em que olhou aqueles dois bicudos faróis prontos para serem sugados.
Era uma sexta-feira enluarada. Olavo  estava com Roberta no restaurante quando Elisa apareceu ao lado de uma amiga, vestida com uma blusa branca transparente, sem sutiã. Depois da cena que o deixou babando, não conseguiu mais comer, dormir, nem trabalhar . O par de seios de Elisa tornou-se uma obsessão na vida dele. A relação com Roberta ficou em segundo plano. Ele só pensava em ver novamente Elisa e seus lindos seios.
Tornaram a rever-se uma semana depois, numa festa em  família. Ele não conseguiu tirar os olhos dos seios da irmã de sua namorada. Roberta o pegou várias vezes olhando na direção dela. Não desconfiou . Ou era muito desligada ou confiava muito nele. O fato é que Olavo sonhava e tentava arrumar uma maneira de, ao menos uma vez, tocar nos seios convidativos de Elisa. Sabia que se isso não acontecesse, seu desejo aumentaria cada vez mais. Tinha medo de enlouquecer. Enfartar. No trânsito,  quase bateu no carro da frente uma vez indo para a  academia. Estava tão distraído, pensando nos seios de Elisa,  que não reparou o sinal fechado.
Tinha que arrumar um jeito e urgente,  de tocar nos seios da cunhada. Ao menos nos bicos que o submetiam a verdadeira tortura sensual. Porém, não podia pedir  para deixar ao menos, acariciá-los sem maldade. Corria o risco de levar um tapa e ainda ver seu namoro com Roberta terminar. Amava Roberta, mas os seios de Elisa, o levavam para mundos cheios de luxúria, prazer e dor. O desejo era quase que,  incontrolável.
 A obsessão era tanta  que chegou a consultar um amigo psicólogo. O amigo aconselhou-o a ler um livro de culinária quando pensasse nos seios da cunhada. Aprendeu a fazer muitas receitas. Fez algumas e convidou Roberta para experimentar. Ela estava adorando o lado cozinheiro de Olavo, mas apesar das receitas, do seu dom para a culinária, a distração não obteve resultado. Imaginou , certa vez, estar servindo os seios de Elisa,  rodeados de abacaxi em calda. 
Assustado, acreditou que seu caso era espiritual. Procurou então, um Pai de Santo. Pediu conselho. A entidade riu dele. Ninguém o levava a sério. Só ele poderia se salvar dele mesmo. Só ele se entendia . Sentia-se sozinho, em meio a milhares de seios. 
Desesperado, teve  uma  ideia simples, mas que talvez, fosse eficaz : levou Roberta e Elisa para um banho de mar . De biquíni , Elisa era ainda melhor. Os seios dela gargalhavam dentro do sutiã. Passou mal ao vê-los. Precisava tocá-los, urgentemente, ou ficaria insano. Estava chegando perto da loucura.
Imaginava seu futuro dentro de um sanatório, gritando desesperado pelos seios de Elisa.
Na praia , colocou seu plano em ação. Chamou a cunhada para um banho de mar. Aproveitou a onda e empurrou-a na água. Fingindo um acidente, conseguiu tirar-lhe o sutiã. Finalmente, ali, na água, entre uma onda e outra, tocou nos seios apetitosos da cunhada. Por segundos chegou ao paraíso. Fingiu-se de inocente, desculpou-se pelo acontecido, depois ajudou-a a colocar o biquíni. Elisa voltou para a  areia, contando para a irmã que ficara sem o sutiã dentro da água. Não contou, porém,  que Olavo quase arrancou-lhe os seios fora .
No final da tarde foram pra casa. No carro, Olavo dirigia em silêncio. Quando olhava pelo espelho retrovisor, sentia o olhar cúmplice de Elisa.  Será que ela havia descoberto que ele tirara-lhe o sutiã de  propósito ? Contaria para Roberta ?
As irmãs saíram do carro ao mesmo tempo. Roberta despediu-se de Olavo com um beijo provocante. Mas ele só pensava nos seios da cunhada. Deu partida no carro, mas logo desligou o motor. Elisa se  aproximou e pediu para Olavo  abrir o vidro . Pegou no banco de trás uma sacola plástica que esquecera. Antes de partir, olhou para ele e deu um sorriso. Um sorriso malicioso. Um sorriso de quero mais. Cúmplice.
Aquele sorriso deixou Olavo em estado de choque. “ Será que ela queria nova rodada de massagem nos seios ?” E assim, cheio de dúvidas e com o tesão gemendo no  corpo, ele acordou sete horas para trabalhar . Dormiu somente duas horas. Os seios de Elisa eram os responsáveis por sua noite insone e insana.


24 de set de 2013

A cueca do homem-aranha


Quando  Magali chegou do trabalho , a empregada  esperava por ela na porta da Vila :
- Aconteceu alguma coisa com o Flávio Augusto , Jandira  ?
-  Não senhora. Quero lhe mostrar uma coisa. Sem querer fazer fofoca, vem cá  , por favor.
Curiosa e ao mesmo tempo  apreensiva ,  acompanhou Jandira  até o terraço :
-  Fala logo,  pelo amor de Deus, o que houve ?
- Olha no  terraço da dona Matilde.....vê se a senhora reconhece alguma coisa pendurada no varal.......
Magali  colocou a mão na boca e gritou :
- Aquela cueca do homem aranha é do Flávio Augusto  !
- Reconheci logo . Sabia ! Eu que lavo as cuecas do patrão.
- O que a cueca do Flávio Augusto  faz  no varal dessa perua  ?

Antes da acusação sem provas, reviraram  a casa  procurando pela cueca.
Podiam estar enganadas. Mexeram nos armários do quarto, no cesto da  roupa suja, e até nos armários da cozinha. Nada.
- Será que foi trabalhar com ela ? Vou ligar para ele agora.

Flávio Augusto acabara de sair de uma reunião quando o celular tocou. Atendeu aflito. Muito ciumenta, a esposa o controlava vinte e quatro horas. Assim que ele disse alô , Magali  logo perguntou com voz desconfiada :

- Flávio Augusto, com que  cueca você foi trabalhar hoje ?

Ele deu um sorriso amarelo. Coçou a cabeça. Disfarçou.  O  chefe o  esperava ansioso.
- Responde , anda ! Tá pensando ? Não me faça de trouxa !

O chefe  olhava fixo .  Sem graça, Flávio Augusto falou  em tom formal :
-A  reunião acabou agora. Estou com o doutor  Jairo aqui na minha frente, vou até a sala dele e daqui a pouco  vou pra casa. Até logo mais  .
E desligou.
Ficou furiosa com o descaso do marido. Andava de um lado para o outro  á procura de uma idéia :
- Já sei, vou na casa dessa baranguete   ! É a cueca do Flávio Augusto, só pode !
- A senhora não vai fazer isso. E se não for  ? Imagina  o vexame ?

-  Jandira, raciocina : quem mais tem  cueca de homem aranha na Vila  ? A dona Otília tem 80 anos...o marido, quase noventa....Na casa oito, moram duas mulheres.....A Matilde é solteira.... Essa cueca é do Flávio Augusto ! Vou lá e é agora.

Quando a campanhia tocou, Matilde jantava . Abriu a porta de cara feia . As duas  tinham muitas  desavenças  :
- O que você quer comigo?
-Vim pegar a cueca do meu marido !
- Cueca do seu marido ? Qual é, sua doida, tá delirando  ?
- Aquela cueca pendurada  no seu varal  é do meu marido.
- Como é que você sabe ? Por acaso só o seu marido usa cueca no mundo ?
- Aqui na Vila só ele usa cueca do  homem aranha.  Caiu no seu terraço e você pegou para me provocar, mal amada.  
- Mal amada é você, sua chifruda...
Se agrediram com puxões de cabelo. A confusão só parou quando Jandira carregou  a patroa pelo braço :
- Dona Magali , que vexame ! Seu Flávio vai ficar aborrecido quando souber ...

Flávio Augusto  chegou do trabalho indignado :
 - Que história é essa de arrumar briga na vizinhança   ?

-As fofoqueiras já foram buzinar no seu ouvido  ?! Não vem com essa arrogância  pra cima de mim, não !  Quero saber o que a sua cueca do homem aranha faz no varal daquela perua !?

Flávio Augusto abaixou as calças:
- Olha aqui onde ela está encrenqueira !  E agora ? O que os vizinhos vão dizer ? Todo mundo  na Vila vai  saber que uso  cueca do homem aranha..

A esposa não se convenceu :
-  E por que você foi trabalhar com essa cueca ?
- Acordei com muito sono . Peguei a primeira   que vi pela  frente.  
Envergonhou-se pelas desconfianças sem fundamento .

No dia seguinte, na hora do  almoço, Magali resolveu fazer uma surpresa para o marido . Foi convidá-lo para almoçar . Flávio Augusto saía dirigindo o  carro, quando ela  chegou num táxi . Alertada pelo sexto sentido, mudou de planos :

- Moço , segue aquele carro  branco, por favor. Com cuidado !

Viu  o marido pegar Matilde no trabalho . Teve vontade de sair do táxi  e esmurrar os dois. Engoliu a raiva e controlou-se :
- Continua seguindo, por favor .
- A corrida vai sair  puxada.
- Vou pagar. Faz o que eu mando.

Flávio Augusto entrou num motel que oferecia almoço executivo grátis .
Humilhada e revoltada ainda pensou : “ –até com a amante esse miserável é sovina. “

Pagou o táxi e andou sem rumo  pela cidade. Não voltou para trabalhar . Fez compras e foi direto para casa.
Quando o marido chegou,  Magali  o esperava  vestida numa camisola vermelha sensual. Flávio Augusto estranhou a receptividade, o jantar á luz de velas e a comida preferida.
Estava cansado mas acreditava que  o sacrifício valeria a pena . Jantaram num clima romântico e foram para o quarto abraçados. O jantar e o vinho o excitaram .A esposa  estava carinhosíssima :

- Flavinho, minha vida , vai até o banheiro pegar meu óleo de banho.....

- O que você pretende fazer, hein  ? –  sorriu empolgado.

Fez biquinho e melou a voz :

- Quero massagear seu corpo gostoso.....


 Quando ficou sozinha, levantou o travesseiro e  lá estava a navalha : desafiadora,  com a lâmina brilhante e afiada .  Deu um sorriso vingativo , respirou fundo e suspendeu as sobrancelhas. 

12 de set de 2013

O beijo

                                                      
Já teclava com Rosane  há uns dois meses. Quando eu não tinha com quem conversar, me distraia fazendo sexo virtual com ela. Queria vê-la na cam. Não aceitou. Então trocamos apenas  fotos e ela ficou tarada em mim. Eu sou um homem bonito. Forte. Musculoso. E adoro tirar fotos de sunga. Ela não era bonita. Estava acima do peso. Fazia o estilo  gordinha simpática. Prefiro mulheres magras. Não é preconceito. É uma questão de preferência. Só que ela era diferente. Tinha o dom da escrita. Parecia uma escritora erótica experiente.
 A gordinha escrevia umas palavras quentes e apimentadas. Sabia usar com maestria,  verbos, pronomes e adjetivos . Tanto que me empolguei e passamos a conversar pelo  telefone. A voz dela era pastosa,  macia e feminina.  Eu ficava excitado com os gemidos e a respiração dela . Além disso, ela massageava o meu ego. E quando falava um monte de sacanagem, eu imaginava uma mulher com o corpo cheio de curvas e bunda empinada.
O problema é que, depois de uns três meses brincando e fantasiando, ela quis me conhecer. Eu fugia. Inventava uma desculpa.  A fantasia perderia a graça se nos encontrássemos. Nunca levei  uma gordinha pra cama. Não é meu estilo de mulher. E olha que tenho uma vida sexual ativa. Mas...e  se eu não gostasse dela e falhasse na hora  ? O medo de todo homem é falhar na hora da cama. Pelo menos o meu é.
Mas ela insistia. Dizia sonhar comigo. Chegou a  me oferecer  dinheiro. Falei que não precisava.  Ela fazia questão. Talvez um fetiche. Sei lá. Queria me usar como garoto de programa. Pagaria quatrocentos reais por uma transa  gostosa. A ideia de ganhar dinheiro para transar me excitou. Devo ter alma de gigolô ou coisa parecida. Seria uma experiência  diferente. Pedi 800 reais para ela desistir. Aceitou a proposta. Confessou que me achava gostoso demais e pagaria o que eu pedisse.Com medo, confesso, marquei o encontro. Resolvi desafiar meu tesão.
Marcamos o desafio sexual  para depois do almoço, na minha quitinete. Esperei-a na portaria.  Quando a vi , levei um susto. Ela não era gordinha, era gordona .  As fotos me enganaram. Assim que me viu, sorriu maliciosa. Ficou empolgada. Como não ficar ? Sou o sonho sexual de toda mulher. Ainda mais das carentes. Alto. Musculoso. Delicioso.  Ela  jamais conseguiria transar com um homem como eu, a não ser pagando e enganando como fez comigo . Naquele momento me senti um babaca. A gorda sorrindo pra mim e eu sem graça. Não sabia se meu pau levantaria.
Subimos no elevador em silêncio. Tentei me concentrar. Será que meu “ brinquedo” funcionaria ?
Assim que entramos na minha quitinete, me dei conta de  que só tinha uma camisinha.  Seria o suficiente -  pensei -.   Peguei a camisinha para colocar na hora, mas sem esperança de que acontecesse alguma coisa . Ela veio pra cima de mim e começou a me agarrar. Quando nos beijamos, me surpreendi. A gorda tinha um beijo delicioso.Molhado, uma boca macia.  Sem exagero, me lembrei  da Iracema de José De Alencar : “ A Virgem dos lábios de mel”.  O melhor beijo que dei até hoje . Meu brinquedo ficou de pé latejando . Alívio. Sabia que ele não me abandonaria. Gozei só com o beijo. Acreditem.
Excitado, levei a gorda pra cama e  coloquei-a de quatro. Aquela potranca com aquele rabão sorrindo pra mim, enlouqueceu meu brinquedo. Enfiei nela com atitude .  Mugia  igual a  uma vaca. Soquei o máximo que pude para satisfazer aquele rabo engordurado. Gozei.
A gorda não estava  satisfeita. Assim que me lavei e voltei pra cama, ela se animou e sentou em cima de mim. Falei pra ela que não dava. Não tinha mais camisinha.  Só que ela estava tão desesperada pelo meu cacete que queria se jogar em cima dele de qualquer jeito.  Recuei e com jeito, para não magoar, expliquei que teria que ser de outra maneira. “ Que tal se você me chupar ?” –  mandei com o pau  latejando, depois de mais um beijo longo e prazeroso.
Ela não se intimidou. Pegou meu brinquedinho e começou a chupar. O detalhe é que ela tinha os seios grandes e flácidos. Quando se abaixou para me chupar, eles roçaram  nas minhas coxas,  me fazendo cócegas . Acabei me desconcentrando.  Mas a gorda adorava chupar e caiu de boca com perfeição. Boquinha mágica. Logo, eu estava doido para gozar outra vez . Apesar dos seios me incomodando e tirando a concentração, gozei gostoso. Nem quis saber se ela gozou. Só de me ter nas mãos já era um prêmio.
 Ela saiu  e ainda deixou os 800 reais em cima da mesa . Estava  acostumada a pagar pelo prazer. Quando ela partiu, sorri aliviado.  Tinha sido uma prova e tanto para o meu pau. Ri orgulhoso. Ele saiu vencedor.

Alguns dias depois recebi uma mensagem carinhosa pelo celular. Era ela. Queria repetir. Ofereceu mil reais. Fiquei tentado. Mas aí já era demais.  Sumi. Duas vezes, não.


Precisava me preocupar com minhas novas conquistas. Gosto de novidade. 

25 de ago de 2013

O Deus Grego e as filhas da viúva

                             
Assim que Eliete coloca a chave na fechadura e abre a porta, Julinha pergunta :
- E aí mãe, como ele é ?
Eliete suspira. Joga a  bolsa para um lado, sapato para o outro, e esparramando-se  no sofá , olha com ar sonhador para a filha  :
- Um Deus Grego ! Meu novo chefe é um Deus Grego de 50 anos, corpo atlético e cabelos grisalhos.
-  Se for solteiro, com essa idade,  é gay....
- Divorciado !  Livre  para um compromisso sério.
 Viúva há três anos, Eliete confessara a Julinha que seu sonho atual era arranjar um namorado, pois sentia-se muito sozinha.
Quando Doutor Josuebaldo , chefe de Eliete, morreu e ela foi informada que  viria alguém  de Brasília para substituí-lo, Julinha, com seus  poderes  paranormais, sentenciou  :
- Seu novo chefe será importante na sua vida. Aposto : será seu marido !
Carente e entediada, Eliete encheu-se de esperança. Contou os dias para conhecer o homem que substituiria o antigo chefe.
Quando Doutor Nogueira se apresentou ao trabalho, seguiu-se um alvoroço entre as mulheres, pois além de rico e bem cuidado , o cinquentão era  divorciado e bonito. O sonho das solitárias e desamparadas.
Eliete , secretaria direta , passou a tratá-lo  com a servilidade de uma escrava.  Nogueira  conversava  gentilmente  com ela durante os intervalos para o café. As colegas  deram asas a imaginação   :
-  Acho que o doutor Nogueira se interessou por você.   Por que não o convida para um café na sua casa ?
Com medo de  Nogueira achar o convite um abuso, se aconselha com  as filhas.  Sandrinha, que completara 16 anos recentemente e era a mais desinibida , incentiva :
- Convida mãe ! Deixa de ser boba. Se você não convidá-lo, outra convida.  Quero conhecer meu padrasto. – Brincou.
Eliete passa  duas semanas fantasiando e  enchendo-se  de coragem :
-Doutor Nogueira....
- Já disse que não precisa me chamar de doutor . Para você sou apenas Nogueira.
Eliete ruborizou e deu uma risadinha nervosa  :
- Queria convidá-lo para um jantar na minha  casa.
E para mostrar que o jantar não tinha segundas intenções e era  respeitoso, completa :
 -  Faço questão que conheça minhas filhas adolescentes.
-  Claro.  Quando ? Também tenho um filho adolescente.
Atencioso , no dia do jantar,  Nogueira levou um buquê de rosas para  Eliete e flores do campo para as filhas.  Foi simpático  e fez questão de deixar a formalidade de lado.  
Depois da visita educada, Nogueira passou a tratar Eliete com mais intimidade no escritório. Conversavam e riam durante o expediente.  Só.  A amizade não evoluía para algo mais . Eliete fala de seu desencanto  a uma amiga de  trabalho :
- Ele é gentil, me dá carona ,vai lá em casa... mas não se declara .
- Será que é impotente ? Mas hoje tem o viagra...Seria tímido !?
- Tímido ? Um homem de 50 anos , tímido ?
- A moda agora é homem tímido.  Atrai as mulheres. Convide –o  para o aniversário da Julinha.
Julinha reuniria os amigos e parentes num restaurante para comemorar seus 18 anos . Eliete faz o convite a   Nogueira. Ele  responde  de maneira enigmática :
- Estarei presente, com certeza.  Você terá uma surpresa neste jantar.
O coração de Eliete dispara.
No dia do aniversário de Julinha,  Eliete sente-se apreensiva e comenta com a filha mais nova :
- Meu coração está apertado. Tenho mau pressentimento.
A jovem  deixa Eliete com a pulga atrás da orelha :
- O Nogueira não vale o prato que come !
Eliete pega –a  pelo braço :
-  Você sabe de alguma coisa ? Responda !
-    Não. Algo me bateu no coração.
Quando Nogueira chega ao restaurante,  Eliete fica  ao lado dele como um cão de guarda.  Depois de muito wisky,  Nogueira  vai  até o palco durante a apresentação de um Grupo de Forró, pede o microfone emprestado  e começa um discurso  inusitado :
- Hoje é um dia muito especial pra mim........
Eliete engole em seco . – O que será que ele vai falar ? Vai me pedir em casamento ? Não me preparei para isso. Estou nervosa  ! – Pensa
Nogueira continua  o discurso : - Gostaria de em primeiro lugar agradecer a Eliete, essa funcionária dedicada, a acolhida que tem me dado no Rio de Janeiro..... –
 Em seguida, depois de chamar Eliete  de querida sogrinha, pede  a  mão de  Julinha  em casamento !
Depois dos brindes, os noivos  dançam agarradinhos e comemoram a união surpreendente.
Ninguém nota a ausência  de  Eliete que sai  do restaurante carregada por uma amiga.  
Enquanto a comemoração continua , Sandrinha vai até Nogueira  e entrega-lhe um bilhete. Ele lê : - “ Vi você beijar a estagiária no dia em que fui  à empresa visitar  minha mãe. A foto está no meu celular. Se não me beijar com tal desejo, vou mostrar  pra todo mundo.”  –

 Nogueira procura Sandrinha com os olhos. Trocam olhares de cumplicidade. Depois, ele  passa a língua pelos lábios e dá um sorriso de satisfação .


18 de ago de 2013

Insatisfação

                                                       
- Lauro, quero me separar !
- Como, Verinha ?
- Não se faça de surdo. É isso mesmo que você escutou.
- Qual o motivo ?
- E precisa existir motivo para se separar de alguém ?
- Claro ! Fiz  alguma coisa que você não gostou ?
- Tá aí, não fez.
- Então...
- Sei lá...somos muito diferentes.
- Diferentes ?  E nossas afinidades ? Gostamos de ler, de Goethe, de Neruda..de vinho..
- Sim, mas não é o suficiente para continuar uma relação.
- Não ? E na cama ? Você delira quando estamos juntos.
- Verdade. Gosto mesmo. Mas...
- Já sei, arrumou outro !
- Até que não...
-  Então não me ama mais ?
- Não sei...amor não é o suficiente. É preciso algo mais..faltando algo mais.
-  Que algo mais é esse ? Você sabe pelo menos o que é ?
- Preciso pensar. Saber...
-  Tudo bem. Não vou insistir. Queria só saber o que eu  fiz de errado.
- Talvez seja esse o problema : você não fez nada de errado !
- Não entendi !??
- Você já me traiu ? Seja sincero !
-  Não preciso de outra mulher para me satisfazer sexualmente. Além disso, você é minha melhor amiga.
- Isso mata um relacionamento !
- Tá maluca ? Pelo contrário !
- Lauro, você me liga todo dia. Lembra da data do meu aniversário. Quando eu ligo pra você, atende sempre. Isso é chato.
- Ué e não tem que ser assim ?
-  Não !! Eu preciso de mais adrenalina pra viver. Nossa relação está  monótona !
- Ela é perfeita. Sem estresse. Eu não acho monótona.
- Eu acho e por isso quero terminar ! Preciso de  emoções fortes !
- É isso o que você quer ? Tem certeza ?
- Tenho.
- Então tá bom ! Não insisto mais. Acabou.
- Ótimo. Acabou. Podemos ficar amigos. Pode ser ?
- Claro, não vejo motivos para ficarmos inimigos. Respeito sua escolha.

Um mês depois Verinha  ligou para Lauro. Queria reviver os bons momentos.  Lauro não quis :

- Sabe o que é ? Estou começando uma relação com a Carminha. Ela é muito ciumenta. Não quer nem ouvir falar de você.
- Com a Carminha ? Aquela  sem graça ?
- A Carminha é uma mulher muito interessante !
- E como fica nós dois ?
- Não fica.
- E a nossa amizade  ?
- Continua. Cada um vivendo sua vida.
-Mas precisamos conversar pessoalmente.
-Não vai dar. Fica para a próxima. Desculpe, Verinha.


Verinha não se conformou com a recusa.  Passou a ligar todos os dias para Lauro.  Ele  mudou o número do celular. Verinha  ia esperá-lo na porta do trabalho. Para fugir do assédio, ele passou a sair em horários diferentes.  Verinha não desistiu. Persegue Lauro nas redes sociais. Manda  recado pelos  amigos. Insiste em beber, pelo menos, um chope.  Lauro está no terceiro relacionamento. Verinha continua atrás dele. 

15 de ago de 2013

Amores e lagartixas

A festa no apartamento de Marcelo estava animada. Som, bebida, comida e reencontro com amigos. Silvia conversava com o namorado e dois amigos, quando avistou  Débora, na varanda, sozinha, com um vestido vermelho , e uma taça de vinho na mão direita. Silvia admirava Débora. A amiga tinha 30 anos, era alta, magra, cabelos pretos e longos, pele branca, olhos verdes, além de um corpo bem feito. Não se viam há dois meses. Silvia pediu licença ao namorado e aproximou-se dela :
- Débora,  tudo bem  ?
Débora estava distraída e quase deixou a taça com o vinho cair no chão :
- Silvia, que susto ! Estava longe. Eu estou bem e você ?
Empolgadas com o encontro surpresa, logo começaram a contar as novidades. Curiosa, Silvia  perguntou :
- Está sozinha ?
- Sim e você ?
- Estou com o Ricardo. E  o seu namorado ?  César ..o nome dele , né ?
- Terminamos.
- Ué, vocês não estavam tão  apaixonados ? Vivendo quase uma lua de mel ?
- Sim. Verdade
- O que aconteceu ?
- Não nasci para amar.
- Como assim ? Todos nós nascemos para amar .
- Quem disse ? Está escrito em algum manual quando nascemos ?
- Ah, Débora, toda mulher quer ser amada.
- Concordo. Mas junto com o amor vem tantos outros problemas.
- Já sei, foi traída  ?
-  Não .  Amava e era correspondida. Mas gosto de ser livre. Amor e liberdade não combinam. Essa coisa de ter que dar satisfação. De ter que esperar ligar. De ligar.
- Mas relacionamento é assim mesmo.
- Amiga, relações são muito complicadas.
- Sei lá, acho que você é que está complicando.
- Nada. Quero simplificar. Gosto de sexo casual. Gosto de conhecer gente nova. Homem quando pega intimidade fica muito folgado.
-Como assim ?
- Ai, amiga, no início é tudo um paraíso. Depois o homem começa a ficar rabugento , reclama e eu odeio esperar por ligação. Por SMS. Não quero isso na minha vida mais . A gente se acostuma e a pessoa vai embora.
- Mas você não era correspondida ?
- Até quando ? Tudo acaba, né ? E se acabar primeiro para ele ?
- Nossa, mas você é muito pessimista !
 - E tinha uma outra coisa : o César estava metido com um movimento SALVEM AS LAGARTIXAS AMARELAS ...e era reunião em cima de reunião..
-  Devia sentir orgulho dele. Afinal, ele está ajudando a salvar o planeta.
- Salvar Planeta ?  A gente não consegue nem se salvar e vai salvar planeta ? Não delira. Ele era até meio fanático com essa história de lagartixa.
- Você não foi egoísta ? Quem ama tem que entender o outro.
- Outro problema. Eu não consigo nem me entender , como vou conseguir entender o outro ?
- É  , eu acho que você complica demais.
- Tô simplificando.  Não  preciso mais esperar por ligação, SMS, não me preocupo se devo ou não ligar e quando ligo não me preocupo se o celular vai dar caixa postal. Acabou minha agonia.
- É, cada um é feliz a sua maneira. E não tem ninguém em vista ?
- Muitos. Amanhã vou sair pela terceira vez para transar com um rapaz incrível. Será a última vez. Depois dispenso. Só sexo.
- Cheia de poder !!
-  Variando o cardápio. Tenho mais uns dois na fila. Só sexo. Nada mais.
- A gente se fala outro dia. Deixa eu ir lá.  O Ricardo está me chamando.
-Vai lá. Foi ótimo te encontrar. Vamos marcar de almoçar.

- Isso. Aí você me conta seu novo caso.
- Combinado.

Despediram-se. Débora ficou na sacada da varanda respirando ar puro. A brisa da noite refrescava-lhe o rosto. Aquela sensação de liberdade combinava com ela.O celular tocou. Ela puxou o aparelho da bolsa e atendeu com um sorriso na voz.

2 de ago de 2013

Metade

Estavam na casa dele.  Quinto andar . Apartamento de frente para o mar. Depois de  três taças de vinho, transaram com a janela aberta. O cheiro de maresia  alimentava os  instintos.  Estavam juntos há um ano, entre brigas e reconciliações. Os desentendimentos esfriavam o amor. Mas  não apagavam  o fogo sexual.  Da parte dele era só tesão. Ela  tinha também paixão. Mesmo contrariada, , aceitava o vai e volta dele. Depois do sexo,  discutiam  a relação. Ele queria descansar. Ela queria falar. Precisava desabafar  :

Ela – Por que você me procurou mais uma vez ?
Ele  - Por que senti tesão.
Ela – Tesão é muito pouco.
Ele – Pouco ? O maior sentimento que um homem pode ter por uma mulher é o tesão.
Ela- Eu quero mais .
Ele – Mais o quê ?
- Ela  - Casar , ter filhos, família. Visitar a sogra dia de domingo.
Ele – Meu amor, assim não  há tesão que resista.
Ela – Como você sabe ?
Ele – Vejo pelos meus amigos. Melhor assim como estamos. Manter sempre a chama do tesão aceso.
Ela – E se eu te disser que não quero só isso ?
Ele – É só o que eu tenho para te dar.
Ela – Só ? Sabe...eu tenho a impressão.....
Ele – Fala. Completa a frase.
Ela – Deixa pra lá.
Ele – Deixa de bobagem. Fala o que você ia falar.
Ela – Não sei...eu tenho a impressão que você me quer pela metade.
Ele – Não entendi ! Quero você inteira. Todinha pra mim !
Ela – Mentira ! Você me quer pela metade. Quer e não quer, entendeu ?
Ele – Você está muito confusa.
Ela – Confuso é você.
Ele – Sou nada. Sou tão simples.
Ela – Um  homem que quer uma mulher pela metade não é simples.
Ele – Fala em português. Não entendo que metade é essa.
Ela – Você me quer e não quer, entende ?
Ele – Não.
Ela – Você não quer ficar comigo, mas também não quer me perder.
Ele – É, você tem razão.  Concordo.
Ela – Ainda por cima é cara de pau !
Ele – Sou sincero.  Não quero te perder, mas também não quero nada sério.
Ela – isso é egoísmo.
Ele – E quem disse que eu não sou egoísta ?

Ela ficou em silêncio. Pulou da cama e pegou a roupa na cadeira. Vestiu-se lentamente, enquanto se recuperava das palavras que lhe feriram o ventre . Ele apenas olhava. Em seguida, ela apanhou a bolsa no cabideiro e saiu sem se despedir. Ele não fez nada para impedir. 
Ela trocou o número do celular. Saiu  de circulação. Ele ainda ligou para ela umas três vezes. Depois desistiu. Nunca mais se viram. Três meses  depois, estava apaixonado por outra. Pela metade. Ela ainda tinha esperanças de esbarrar com ele pelas ruas. Quem sabe ?
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16 de jun de 2013

A Revolta dos Fraldinhas

Na sala de aula grita com o professor por causa da nota baixa. Em casa, chama a irmã de piranha. Antes de sair para a passeata, tira a mãe do computador. Ela precisa lhe preparar ,com urgência, um achocolatado quente e um misto. Vendo a pressa do filho saindo de casa, o pai pergunta :
- Tá indo pra onde com o Iphone ? 
- Não tá sabendo ? Manifestação pela diminuição da passagem.
- Ué, quem paga a sua passagem não sou eu ?
- É, e daí ? Mas a manifestação é contra a Copa do Mundo no Brasil, o Superfaturamento, a educação, a falta de hospitais.
- Peraí. Eu não pago plano de saúde pra você ?
- Paga.
- Tá te faltando alguma coisa ? Não gosta mais de futebol ?
- Ah pai, não enche. Tô indo pra manifestação..
- Já sei. A Revolta dos Fraldinhas.
- Ah , pai, vai tomar no cu.
E saiu apressado convocando os amigos manifestantes pelo Facebook.

22 de mai de 2013

A bola de cristal de Madame Daya


                                

Lucinda rói as unhas e olha o relógio todo hora. Cinco minutos depois, Yarinha   abre a porta e sai lentamente de cabeça baixa :
- E aí ? – pergunta Lucinda curiosa : Tudo bem ?
Yarinha pega um lenço e, enxugando as lágrimas, responde indignada :
- Três, Lucinda. O Waldemar não tem uma . Tem três amantes. TRÊS !
- A vidente falou o nome das amantes ?
- Não. Disse apenas que são três.
-  TRÊS ? Com aquela cara de santo ?
- Não existe homem santo. Santo tá no céu.
-  Tem certeza que essa Madame Daya é boa  ?
- Tenho. Três amigas  já se consultaram com ela. A bola de cristal de Madame é poderosa.
- Um dia pode errar.....
- Ela acertou a morte do meu cachorro, o meu sarampo na infância....
- Por que você não vai a outra ? Essas coisas precisam de confirmação.
- Nossa Lucinda, você está mais interessada do que eu que sou esposa.
Lucinda muda o discurso :
- Bem, se você tem certeza que são três, se fosse meu marido, eu matava !
-  Você é muito passional. Homem não gosta de mulher ciumenta. Por isso ficou solteirona.
- E o que você vai fazer ? Passar a mão na cabecinha dele e se culpar ?
- Não sei. Nessas horas mulher tem que usar  a cabeça e não o coração.
- Francamente, você acredita que o Waldemar tá podendo com três mulheres ?
- O que ela falou bate, Lucinda ! Justamente segundas, quartas e sextas, o Waldemar chega  em casa mais tarde. Está fazendo um curso. É o que diz.
Lucinda fica pensativa, morde os lábios e fala com ar despeitado :
- É....então bate. Você devia se orgulhar do Waldemar. Três, né ? E você ?
- O que é que tem eu ?
- Não transam ? Não rola nada ?
- Transamos. O meu dia é sábado. – Mente.
- Filho da mãe !
- O que você disse ?
- Nada. Pensando alto.
Se despedem. Lucinda pega o ônibus dizendo que tem consulta marcada com o médico. Yarinha sai caminhando pelo centro da cidade numa tranqüilidade falsa.  
Rodou duas horas pelas ruas do centro, olhando  vitrines e fazendo compras com o cartão de crédito de Waldemar. Antes de voltar pra casa, liga para ele :
- Oi, Wal !  Hoje é quarta. Vai ao curso ou vai direto  pra casa ?
Waldemar responde, impaciente :
- Você está cansada de saber que não falto as aulas. Não precisa deixar comida pra mim. Como alguma coisa na cantina do cursinho. – E desliga apressado.
Era assim que Waldemar  tratava Yarinha nos últimos seis meses. Com descaso e indelicadeza. Não iam mais ao cinema e sexo era uma vez ou outra. Num sábado, depois do almoço, Yarinha pegou-o olhando para o nada, com cara de apaixonado. E não era só isso, ainda havia a variedade de cuecas novas colocadas para lavar.
Aconselhada por uma vizinha, procurou Madame Daya apenas para confirmar o que já  desconfiava : o marido tinha uma amante.
Depois de tanto  andar pelas ruas da cidade, perdida em divagações, resolveu ir  pra casa da mãe. Dona Áurea não estava. Yarinha deitou-se no sofá e ligou a televisão. Antes de pegar no sono,  pensou em Madame Daya -  “ ela foi certeira.... e eu que não acreditava nessas coisas.”
Adormeceu sorrindo ironicamente.
Enquanto Yarinha dorme no sofá da mãe,  Waldemar sai do trabalho apressado, depois de receber uma ligação. Preso no trânsito, olha nervoso  para o relógio. O celular toca . Atende angustiado :
- Calma ! Estou chegando. Meia hora. Meia horinha só !

Estaciona o carro com pressa . Sobe  três andares pela  escada. Quando abre a porta do apartamento, Lucinda espera por ele, sentada no sofá e segurando um revólver com as duas mãos :
- Diz seu canalha !?  Quem são as outras duas amantes ! ?
Waldemar não entende :
- Que duas ? Tá maluca ? Só tenho você. Eu te amo !
O coração de Lucinda bate acelerado. Ela treme. Waldemar grita :
- Larga essa arma. Vamos conversar.
- Não largo. Eu sei de tudo. A bola de cristal de Madame Daya não mente.
Ele vai se aproximando para desarmar Lucinda :
- Quem é essa Madame  ? Vai , me dá essa arma.....abaixa a arma....

Lucinda treme. A garganta fica seca. Ela lembra das palavras de Yarinha :
 “ Três, Lucinda. O Waldemar não tem uma . Tem três amantes. TRÊS. “

Atira. Três tiros. Dois acertam a parede . O último atinge a cabeça de Waldemar.

Quando a mãe de Yarinha chega em casa, encontra a filha dormindo no sofá.

- Yarinha, minha filha, acorda....são quase oito da noite. Não vai pra casa ?

Yarinha levanta  sonolenta :
-  Ferrei no sono. Não preciso mais ir pra casa !
- Aconteceu alguma coisa  ?
- Descobri que Waldemar  me trai, mãe !
- Que vigarista. Se fosse comigo, matava !

A filha  dá um sorriso vingativo, aperta os olhos, passa a mão pelos cabelos e revela :

- Não precisa, mãe  !  Encontrei alguém que faça isso por mim !

A risada maquiavélica de Yarinha ecoa na pequena sala. 

6 de mai de 2013

Leonora


Levantei da cama  pensando em Leonora. Domingo ela acordava sempre ao meu lado. Afagava meus cabelos, colocava a mão no meu pau e dava um sorriso sacana. Eu ficava louco de tesão, sentindo as  mãos macias dela,  me apertando. O  cheiro de amêndoas do corpo de Leonora, aumentava a minha vontade de trepar .  Transávamos em meio a preguiça matinal , e em seguida, alegre e cheio de energia,  eu fazia um café com direito a frutas , pão , queijo, presunto, suco e geléia .  Comíamos na cama, assistindo televisão e fazendo brincadeirinhas sexuais .
 Praticávamos um ritual dominical. Pela manhã caminhávamos  pela orla e no início da tarde, almoçávamos no restaurante preferido de Leonora e depois de nova caminhada, voltávamos para o meu apartamento . Ela tirava a roupa , simulando um striptease  e transávamos no sofá. Depois, em meio a preguiçosa tarde de domingo,  Leonora lia em voz alta , o trecho de alguns poemas russos . Adorava poesias. Eu nunca fui muito fã, mas meu amor por  Leonora , me fazia prestar atenção em cada palavra saída daqueles lábios carnudos com gosto de sexo. No início da noite batia uma nostalgia. Fazíamos um lanche e  Leonora  despedia-se com um beijo molhado, combinando o próximo encontro :
- Sábado eu volto. A gente se fala durante a semana.
Eu era feliz assim. Não existia cobrança nem planos para o futuro. Só muitas descobertas e  bons momentos juntos .  Mas eu magoei  Leonora, e ela   partiu.  Podíamos estar juntos até hoje se ela  perdoasse meus  pequenos deslizes masculinos. Dizem que o verdadeiro amor não perdoa. Talvez Leonora me amasse de verdade.
Nossa relação começou a mudar numa noite de sexta-feira chuvosa. Seria mais um daqueles finais de semana cheios de romance. O problema foi  quando ela  chegou no meu apartamento , acompanhada de uma amiga. A linda Sofia. Dezenove aninhos. Corpo cheio de curvas, coxas grossas,cabelos dourados e longos. Eu acabara de tomar um banho, depois de um dia longo e cansativo no trabalho e estava de roupão, preparando alguma coisa para comermos. A campanhia tocou,  abri a porta e dei  de cara com  Leonora  e sua linda  amiga :
- Amor, essa é a Sofia. Aquela amiga de faculdade. Lembra ?
- Não lembro, mas podem entrar. Fiquem á vontade.
- Amor, a Sofia  vai dormir aqui hoje.  A gente faz uma cama pra ela na sala. Ela e o namorado brigaram e ela não quer voltar pra casa.
- Por mim tudo bem. Pega os lençóis no armário e arruma uma cama ai no sofá. Tem travesseiro também.
Namoradas não deviam ter amigas bonitas. Enquanto jantávamos, eu reparava o rosto de Sofia uma boneca. Daquelas  bem delicadas.  “ Qual homem louco poderia brigar com uma coisinha tão deliciosa  ?”
Para comemorar a visita de Sofia, abri um vinho. Bebemos até uma da manhã. Leonora foi até meu quarto pegar os lençóis para arrumar a cama de Sofia. Fiquei na sala com ela.
Enquanto eu fechava a janela, Sofia ajeitava o sofá de costas pra mim . A saia curta deixava a bunda da amiga da minha namorada de fora. Parecia um convite. Fiquei louco e com vontade de me atirar naquela bunda e morder. Sofia se virou de repente e reparou que eu olhava para o traseiro dela.  Maliciosa, se aproximou e disse baixinho, com voz rouca, no meu ouvido :
- Se você não fosse namorado  da Leonora, eu transava com você.
Fiquei sem fôlego. “Linda e ousada.” – pensei.  Olhei  novamente  para aquele  traseiro esculpido  e perguntei :
- Posso ?
Ela pegou minha mão e colocou no traseiro dela. Apertei  com vontade. Parecia apertar uma bola de borracha. Apertava e ela gemia.
De repente escutei um barulho. Era Leonara fechando os armários. Empurrei  Sofia e ordenei :
- Senta no sofá. Anda.
Aproximei-me da estante, peguei um livro e fingi que folheava para disfarçar meu constrangimento. Leonora entrou na sala com dois lençóis e um travesseiro nas mãos e sorriu pra mim :
- É de poesia ?
- Sim. Fernando Pessoa.
- Senta . Vou ler pra você.
Sentei-me ao lado de Sofia. Enquanto Leonora lia e interpretava o poema de Pessoa, eu pensava no traseiro de Sofia. Eu sentia que a respiração dela estava ofegante. Pedi licença as duas e fui ao banheiro  . Toquei uma punheta para afogar meu desespero.
Voltei pra sala e vi  Leonora  ajudando Sofia a transformar o sofá em uma cama. Dei boa noite e fui dormir. Apaguei a luz e quando Leonora entrou, fingi que já estava dormindo. Ela tocou no meu pau. Ele despertou. Transamos. Eu pensei o tempo todo no traseiro de Sofia.
Durante a noite me levantei para beber água e passei pela  sala . Sofia dormia igual a uma anjinha . Tive vontade de me aproximar, mas fiquei com medo de Leonora aparecer. Voltei da cozinha e corri o risco. Fiquei  em pé, ao lado do sofá.  Levantei a coberta e toquei de leve nas coxas grossas da amiga de Leonora. Ela gemeu e virou-se de lado. O traseiro ficou na minha direção. Enfiei a mão por baixo da calcinha minúscula de Sofia e apertei  aquele traseiro convidativo e cheio de luxúria. Quando tirei a mão, ela pegou e pediu :
- Faz mais. Eu quero mais.
Continuei  chafurdando minhas mãos naquela bunda gostosa. Estava quase me deitando ao lado dela quando escutei um barulho vindo do quarto. O abajur acendeu.  Levantei-me apressadamente e voltei para dormir. Leonora resmungou alguma coisa, apagou a luz do abajur e voltou a dormir.  Deitei ao lado dela e apaguei. O sábado passou rápido. Adiantei algumas coisas do trabalho, enquanto Sofia e Leonora ficaram vendo filmes.  O domingo foi um tormento pra mim. Sofia desfilou aquele traseiro pela minha casa e quando Leonora se distraía, ela provocava . Leonora  parecia não perceber.
 As duas foram embora no final da tarde. Quase pedi o telefone de Sofia. Achei arriscado. Eu amava Leonora. A outra representava apenas um traseiro.
 Na semana seguinte Leonora chegou  sozinha. Era um alívio pra mim ao mesmo tempo , uma decepção. Não precisaria segurar o meu tesão por Sofia mas não veria aquela bela bunda desfilando pelo meu apartamento. Resolvi pegar umas fitas pornôs para assistir com Leonora. Uma forma de esquentar a relação. Abri um vinho, começamos a beber vendo as fitas e logo estávamos excitados. O efeito do vinho me deu coragem para  fazer perguntas, indiscretas :
- Leonora ?
- Fala amor.
- Você tem alguma fantasia sexual ?
Ela pensou durante algum tempo. Bebeu um gole de vinho, parou o filme e me perguntou :
- E você, tem ?
- Eu gostaria de transar com você e com outra mulher.
- Todo homem tem essa fantasia.
- Você toparia ?
Leonora não me respondeu logo. Encheu nossos copos de vinho . Bebeu um pouco mais e pediu :
- Vai, me beija. Esquece esse assunto.
- Só me responde. Anda. Diz.
- Bom...se você quisesse, só uma vez para te deixar feliz.
Ela riu e jogou os cabelos de lado, fez charme  e  tentou mudar de assunto.  O vinho já tinha me deixado muito excitado, acabei falando demais saiu sem querer. Na empolgação :
- Eu quero uma vez só. E já sei até quem pode ser a terceira pessoa.
Leonora  parou e mordeu os lábios. Em seguida franziu a testa. Durante um tempo procurou a resposta na parede.
- Fala, quem, Mário ? Quem ?
- Sua amiga Sofia.
Leonora se transformou. Não esperava aquela reação intempestiva. Ela se levantou do chão, socou a parede, jogou a taça de vinho na estante e gritou :
- Eu sabia. Naquele sábado você comeu a Sofia. Seu tarado ! Traidor !
Tentei contei a ira de Leonora :
-Não , meu amor, nada disso. Eu não transei com a sua amiga. Foi só uma ideia. Se você não quer, vamos esquecer  essa história agora.
- Transou , sim. Durante toda a semana ela ficou me jogando indiretas. Vocês são dois filhos da puta. Eu nunca mais quero olhar na sua cara ! Tá entendendo ? Nunca mais ! Dá minha roupa aqui.
- Calma, Leonora, não precisa disso.
Leonora se vestiu, enquanto chorava. Eu tentei consertar a besteira que eu tinha feito.  Tarde demais. Despertar o ciúme da mulher amada ou é morte ou separação. Ela me  empurrou, abriu a porta do meu apartamento e se foi.
Desde aquele maldito dia, nunca mais vi Leonora. Não me atende nos telefones. Nunca está em  casa  e fui impedido de entrar no trabalho dela.
Eu tenho uma  saudade da porra dela. Do cheiro. Do hálito. Das risadas.  O que me consola, é que de vez em quando, eu como a bunda da Sofia. Hoje que a saudade apertou, vou ligar para ela. Assim conversamos, bebemos, brincamos e logo esqueço da minha meiga e decidida  Leonora.  Sofia aposta que um dia eu vou esquecê-la. As duas também nunca mais se falaram.
Quando , enfim, não restar mais nenhuma lembrança de Leonora,  eu  deixo de comer a bunda da Sofia.
 Tá combinado.