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21 de out de 2012

Moça de família


                                              
Quando a filha de Sales abriu a porta , Moraes encantou-se  com a beleza da jovem morena de 18 anos. Verificou com os próprios olhos que  ela era tudo  o que  o amigo falara no escritório e mais alguma coisa. Um verdadeiro pedaço de mau caminho capaz de desvirtuar um homem de bem como ele  : cintura roliça  , pernas esculpidas em academia , olhos grandes da cor da jaboticaba e seios rijos que mais pareciam duas pêras. O micro-short deixou Moraes em transe.   Porém, logo se recompôs,  pigarreou e ainda embevecido  falou :
- Como vai, boa tarde !? Você é a Elisinha ? Sou o Moraes,  amigo do seu pai , do escritório. Ele me convidou para almoçar...
Elisinha  sorriu deixando os dentes branquíssimos à mostra e convidou-o a entrar . Quando passou por ela entorpeceu-se ao sentir o  perfume delicado de rosas :
- O senhor pode sentar , por favor, papai  já vem . Ele tá na cozinha com mamãe.
Dois minutos depois Sales aparece sorridente com uma garrafa de cerveja na mão e a esposa do lado :
- Me dá um abraço  , vamos comemorar sua visita. Até que enfim saiu de casa!
- Só você mesmo amigo para me tirar de casa.
- Essa é Divina, minha esposa, esse é o Moraes ,meu companheiro de escritório que perdeu a esposa há dois meses
Depois das apresentações conversavam animadamente, quando Divina foi até a cozinha para olhar o assado.  Sales então, cheio de orgulho, comentou :
-  Minha filha não  é uma verdadeira  princesinha  ?
- É , e como. Uma moça muito linda.
- Elisinha é minha jóia. Uma preciosidade . Sabe como é : única filha mulher, a  caçulinha. 
Durante o almoço, sem que ninguém percebesse , Moraes  lançava olhares maliciosos  para Elisinha . Impressionara-se  com a beleza da morena e sentia raiva pelos 53 anos, que o impediam de paquerá-la ousadamente . O dia passou rápido.

Durante a noite teve insônia. O jeito meigo de Elisinha não lhe saía da cabeça. Achou que a empolgação adolescente eram os primeiros sinais de senilidade. Sales jamais poderia adivinhar-lhe os pensamentos. Seria  uma carnificina.

Quase quinze dias depois da visita a casa do amigo , aborrecido com o calor no apartamento, resolveu  caminhar no calçadão da Avenida Atlântica . Quando já  andara dois quarteirões,  avistou uma jovem com um micro-vestido  que lhe chamou a atenção : “  acho que conheço aquela moça...sim...é ela..a filha do Sales....e está ...não acredito ! Pegando homem no calçadão de Copacabana !!!!! “
Aproximou-se. Ficou desconcertado ao ver que a  linda filha do amigo levava vida dupla. Pega em flagrante, Elisinha falava baixo olhando para o chão :
-Pelo amor de Deus seu Moraes , não conte ao meu pai o que viu. Será um segredo entre nós dois...promete ?
- Mas seu pai precisa saber...isso é uma vergonha !
Como não conseguia convencer Moraes, protagonizou uma cena deprimente . Ajoelhou-se  no calçadão implorando com lágrimas nos olhos :
- Se papai souber que mato aula na faculdade para me prostituir é capaz de morrer do coração. O que preciso fazer para o senhor não contar a ele   ?
Moraes lutou para  tirar a idéia que lhe passara pela cabeça. Venceu a tentação. O instinto. Com cuidado, pegou Elisinha  pelo braço e cochichou-lhe aos ouvidos . Ela topou com um sorriso malicioso nos lábios  :
- Está bom no  sábado ? Quatro da tarde ?
Moraes sacudiu a cabeça concordando  e com os olhos brilhando saiu com o coração aos pulos pelas ruas de Copacabana. Tinha certeza que   perdera o juízo, porém,  uma maluquice de vez em quando – pensou -  até caía bem para colorir a  vida entediante   .
No sábado Elisinha  foi pontual . Quatro da tarde tocou a campanhia do apartamento de Moraes . Passaram a se encontrar toda semana. Remoçou. Ironicamente, foi Sales quem notou  a mudança :
- O que aconteceu com você ? Parece que rejuvenesceu uns 20 anos. Até fica cantarolando sozinho....está apaixonado e não me conta nada  ?
Moraes  disfarçava com um sorriso de canto de boca  :
- Impressão sua....é o calor que me deixa mais corado.
Foi num sábado a tarde que tudo aconteceu. Elisinha e o amante   estavam abraçados na cama , quando ela desabafou :
- Meu pai anda estranho..pelos cantos...não fala direito comigo...será que desconfia de alguma coisa ?
- Como ? Impossível !!?. Nem na sua casa vou para não ser traído pelo olhar.
- Vai ver é  coisa da minha cabeça...
- Esquece , meu pêssego. Fica na cama que vou jogar uma ducha no corpo e já volto.
A campanhia tocou. Moraes  gritou do banheiro :
- Abre a porta , minha frutinha , deve ser a encomenda da padaria.
Elisinha enrolou  uma toalha no corpo e abriu . Ficou frente a frente com o pai.  Sales empurrou a filha com o coração aos pulos. Tremia dos pés a cabeça. Entrou no apartamento gritando  em total  estado de alucinação  :
- Cadê aquele filho da puta tarado ? Cadê aquele filho da puta que desvirginou minha princesinha ?!
- Papai...não é o que o senhor está pensando...calma ! O senhor vai ter um troço !

Moraes  chega na sala e tenta se explicar. É pior. Sales  fica vermelho e dá um uivo ensurdecedor. Em seguida coloca a mão no peito e cai no chão . O enfarto é fulminante. Elisinha  joga-se junto ao corpo do pai e transtornada agride Moraes  com palavras  :
- A culpa é sua ! Tarado ! Indecente ! Imoral ! Não quero nunca mais ver essa sua cara de rinoceronte !

Nunca mais se viram . Moraes nem no enterro apareceu. Elisinha, para redimir-se,  tornou-se beata . Ajuda  na missa das seis  passando a sacolinha.  Em casa, antes de dormir, ora devotadamente para resistir a tentação que lhe corroi a alma  : os olhos azuis de padre Francisco despertam-lhe pensamentos libidinosos e sonhos eróticos. 


Conto publicado no livro " Só as feias são fiéis"

14 de out de 2012

O marido de Narinha


Lemos  lia o jornal no sofá da sala, depois do almoço de sábado, quando Narinha  apareceu , eufórica :
- Adivinha quem vem passar seis meses aqui no Rio ?
- E eu sei lá.
- A Nice.
- Nice  ? Sua sobrinha ? A filha da Sônia ?
-  É, homem. Tá com a memória fraca ?
- É a filha caçula da tua irmã, não é ? Faz tempo que a gente não vê a Nice. 
- Oito anos. A última vez, foi quando passaram  o natal no Rio . A Nice agora tá com vinte anos. Vem fazer um curso  no Rio e vai ficar aqui em casa.
- Aqui ? Já vi que vamos ter dor de cabeça.
-  Deixa disso. Será  um prazer receber minha sobrinha . Seis meses só.
- Quero ver.
- Ela chega na segunda.
-  Mas já ?
-  Sim. A Sônia falou comigo agora pelo telefone.
Segunda-feira, quando Lemos  voltou  do trabalho encontrou a sobrinha sentada, confortavelmente, no sofá da sala. Assim que ele apareceu , ela correu para abraçá-lo :
- Tio, quanto tempo ! Que saudade. O senhor continua o mesmo.
 Nice apertou Lemos com força, roçando o corpo no dele. Sem graça, ele desvencilhou-se  e cumprimentou a jovem, friamente.
Morena, das coxas grossas, cabelos cacheados e muito namoradeira, ela sabia o impacto que causava nos homens  e adorava provocá-los com olhares convidativos . O tio  foi o primeiro homem que a rejeitara. Sentindo-se desprezada, ficou curiosa para descobrir o que Lemos  escondia por trás daquela aparente virtude.
Impetuosa, no dia seguinte, assim  que o tio  saiu para o trabalho,  perguntou a Narinha em tom amistoso :
- Tio Lemos é bom marido ?
- Em que sentido ?
- Ele comparece na hora do sexo.
- Nossa Nice, que pergunta ! Me deixou sem graça agora.
- Só queria saber. A senhora não precisa responder. Eu entendo.
- Bom perguntar. Preciso mesmo desabafar. Acho que Lemos  tem outra. Não fazemos sexo há cinco meses. Ele perdeu o interesse por mim.
- Conversa com ele, tia. Pressiona. A senhora é muito nova para ficar sem sexo.
- Em primeiro lugar, tira esse negócio de senhora. Estou com 34 anos. Somos amigas.

Passaram a manhã arquitetando uma maneira de descobrir se Lemos tinha uma amante. No final da conversa, Nice  perguntou :
- Tem certeza, tia ? Será que vai dar certo ? Posso mesmo ?
- Vamos testar a fidelidade dele. Quero ver se ele me trai ou é broxa.
Com a aprovação da tia, Nice passou a insinuar-se para Lemos . Quando ele chegava do trabalho, a sobrinha o recebia  numa camisola transparente. Sem saber como sair dos assédios, que o constrangiam, reclamou  com a esposa :
- Será que você não percebe o que está acontecendo dentro da sua casa ?
- O que?
- Sua sobrinha me assedia.
-  E daí ? Nem me  preocupo. Você não é de nada mesmo.
-  Duvida da minha masculinidade ? Não provoca, hein ?!
- Tá aí, estou provocando . O que você vai fazer ? Vai transar comigo ou com ela ?
- Já vi tudo, sua sobrinha  tá colocando coisa na sua cabeça. 
Irritado, Lemos mudou de assunto, falando sobre a previsão do tempo. Narinha  achou estranho.
Depois de quase dois meses  assediando o tio, sem sucesso, Nice concluiu :
- Sabe o que eu acho tia ? Jura que não vai ficar zangada comigo  ?
-  Juro. Diga. Anda. Quero saber sua opinião.
- Tio Lemos é gay.  Casou para disfarçar. Me rejeita o tempo todo . Finge que nem é com ele. Nenhum homem agiria assim. Só gay, tia. Só gay.
Depois da conversa com a sobrinha, Narinha passou a observar as atitudes do marido. Será mesmo que casara-se com um gay ? Talvez a culpa fosse dela. Vai ver era fria na cama. Por isso ele resolveu ser gay. Será que se ela fosse mais ousada no sexo, Lemos voltaria a ser homem ? Não parava  de pensar.  A cabeça girava. Passou noites insones. Imaginava o marido beijando outro homem e sentia náusea. Esperaria Nice voltar para Brasília e conversaria mais á vontade   com o marido.  Dois dias depois da sobrinha partir , Narinha agiu . Lemos jantava, depois do trabalho,  quando ela  perguntou sem rodeios :
- Você é gay ? Seja sincero. Não me faça sofrer .
Pego de surpresa, Lemos  tomou um copo de água  para se recuperar e respondeu secamente :
-   Quer a verdade ? Tem certeza ? Vai suportar ?
-  Suporto tudo. Não aguento mais mentira.
- Então aguarde.Amanhã vai saber de tudo.Vamos acabar com isso. E não reclame, viu ?
- Não vou reclamar. Quero a verdade por pior que seja.  
Narinha passou a sexta-feira angustiada. No final da tarde, Lemos ligou :
- Toma um banho bem relaxante que é hoje.
Ela atendeu o pedido de Lemos e caprichou no visual. Colocou a colônia preferida, penteou os cabelos e  passou um batom vermelho e sensual. Esperou o marido com o coração disparado . Quando ele abriu a porta acompanhado de um homem alto e elegante,  ela não entendeu. Sorridente, Lemos  os apresentou :
- Narinha , minha esposa.
- Narinha, esse é o Rocha , colega de escritório. Faz sala pra ele, enquanto tomo um banho. E serve esse vinho, por favor.
Confusa, a esposa de Lemos colocou o vinho na taça e estendeu as mãos trêmulas para Rocha. Ele pegou-a suavemente pelo braço e puxou-a para perto dele. Entorpecida, ela obedeceu. Em seguida, beijou-a docemente nos lábios. Narinha correspondeu.. Empolgado, Rocha  passou-lhe as mãos pelo corpo, enquanto tirava-lhe as peças de roupa, jogando-as para Lemos , que sentado na cadeira de balanço, observava  os dois,  com os olhos faiscando de prazer.  

9 de out de 2012

Apenas um drink


O dia tinha sido cheio. Muito trabalho. Tempo  quente. Antes de ir pra casa, resolvi parar num bar de música ao vivo perto do escritório.
Estava cheio e animado. Como sempre muitas mulheres e poucos homens. Mulheres mais velhas. Homens mais novos. A maioria de paletó e gravata. Sentei-me num banquinho perto do bar e pedi ao garçom um Mai Tai. Uma mistura deliciosa de rum com abacaxi. Enquanto pegava  meu drink, um rapaz com a pele branca,  cabelos lisos e pretos sentou-se ao meu lado e sorriu .
Fingi que não vi. Meu dia  tinha sido confuso demais, não estava interessada em paquerar. Ele devia ter uns vinte e cinco anos. Tentador.  Estou com quarenta  e adoro homens mais jovens.  Na cama, gostam de agradar. Nunca estão cansados.  E eu sou uma insaciável.
Meu problema é que  nos últimos três meses,   tenho   trabalhado  demais.  Conclusão :  Deixei  o sexo de lado. Sinto falta.  Principalmente com homens como o que estava  ali tão próximo. Jovem , bonito  e compenetrado.
Meu drink chegou e ele perguntou ao barman :
- Quero o mesmo drink.
A simpatia dele me desarmou. Olhei  e sorri. Ele sorriu de volta  e com uma das mãos, passou a mão no queixo. Aquele gesto me arrepiou. Eu estava precisando de sexo.  Sim, eu precisava de sexo e aquele rapaz despertara a minha libido. A boca carnuda me deixou imaginando milhões de fantasias. Devia ter um beijo arrebatador.  Deixei o orgulho de lado e puxei  conversa :
- Qual é seu  nome ?
- Luciano e o  seu ?
_ Mônica.
O drink chegou. Brindamos nos olhando nos olhos.  Pedimos outro drink.  Eu estava me sentindo quente por dentro. Cruzei as pernas e aproveitei para subir um pouco a  saia preta. Ele olhou para as minhas pernas e passou a língua nos lábios. Um calafrio tomou conta do meu  corpo : “ O que era aquilo que eu estava sentindo por um homem que eu só sabia o nome ?” Deixei  o desejo tomar conta de mim. Os bicos dos meus seios  denunciavam meu tesão. Ele reparou e  sorriu.
Luciano se aproximou e passou a mão   pelos meus  longos cabelos pretos, puxando  alguns fios e cheirando :
- Seu cabelo é perigosamente perfumado.  Adoro cheiro amadeirado. É  sedutor.
-  Gostou  ? – Fiz charme.
 Aquele  desconhecido estava me deixando deliciosamente  excitada.  Eu estava arrebatada por aqueles olhos amendoados,  naquela noite de quinta-feira, final de expediente,  de um dia cansativo e sem novidades.
Depois do  terceiro  drink, não  me lembrava do trabalho e nem  dos problemas. Luciano tinha o dom de encantar-me. Deixou-me extasiada  e confesso que,  senti medo dele não me chamar para esticar a noite. Queria, naquele momento, que algo acontecesse entre nós. Desejava-o.
Queria viver o momento e  o momento  era  Luciano. Enquanto ele contava sobre o estágio  num escritório de advocacia, eu pensava como seria transar com ele . Nem escutava direito o que ele me dizia. Só balançava a cabeça concordando e sorrindo. 
Os homens adoram falar. Contar histórias. E quanto mais eu o deixava  à vontade, mais ele falava e ficava à  vontade : desatou  o  nó da gravata, tirou o paletó, arregaçou as mangas e continuou contando casos. Num impulso arrebatador,  comecei a roçar minha perna na dele. Meu corpo tremeu de prazer. Luciano  chamou o barman, pagou os drinks  e  propôs :
- Vamos terminar a noite  num lugar mais  calmo ? Estarei sendo ousado fazendo o convite ?
-  De maneira nenhuma.  É tudo o que eu quero.
 Queria muito e nunca fiz doce . Queria  meu corpo sendo possuído  por aquele corpo jovem e viril. Sentir aquelas mãos enormes acariciando meu corpo. Apertando minhas coxas e tirando minha calcinha. Enquanto ele dirigia, minha imaginação voava antecipando a nossa festa particular.
Estava tão distraída que nem percebi quando ele virou o carro e entrou no motel.  Descemos do carro e gentilmente, ele me  deixou subir  a escada na frente , enquanto roçava de leve os dedos nas minhas costas.

Entramos no quarto. Ele pegou duas latas de cerveja. Enquanto meu jovem companheiro enchia os copos,  fui tomar um banho. Queria me refrescar. Meu corpo estava quente.  Com gosto de desejo. Quando saí do banheiro, ele me estendeu a mão, roçando os dedos nos meus  e me deu o copo com a  cerveja :
- Agora espera. Também  vou tomar uma ducha.
Eu estava sentada na beirada da cama olhando a lua cheia pela janela , quando percebi  que ele se aproximava por trás . Senti a energia daquele corpo jovem. Delicadamente, Luciano me deu um beijo no pescoço e começou a alisar minha nuca. “ Nossa “ – pensei – “ bom demais”...

Não queria  me mexer  para não estragar o encanto. Tinha medo de que a sensação de prazer terminasse  . Prendi a respiração quando senti a boca de Luciano percorrendo minhas costas.
Dei um pequeno gemido. Ele com a voz rouca, disse empolgado :
- Continua assim. Sua  pele é  macia. Estou imaginando o resto.

Ainda não tínhamos nos beijado na boca. Era apenas o início da  festa . Meus olhos se fecharam de prazer quando senti Luciano passando seus braços pelo meu corpo.  Delicadamente ele me virou e me deu um beijo  longo  .  Nossas línguas se movimentavam com sede e  tesão.  A boca de Luciano  desceu . Seus  lábios percorriam meus seios com prazer. Ele me  arrancava  gemidos, e eu murmurava quase  desmaiando :
- Continua...continua.....me toma pra você....

Ele obedeceu. Puxando-me pelos cabelos, me jogou na cama, abriu minhas pernas e me penetrou com força. Olhava nos meus olhos , me deixou confusa e excitada. Correspondi os carinhos e os movimentos do corpo.  Ele subia e descia.  Queria que ele  ficasse  a noite inteira, brincando no meu  corpo .  Nossos sexos se  encaixaram perfeitamente.  Eu queria mais.

Ficamos  numa  dança louca até o inicio da madrugada. Eu estava saciada. Minhas pernas cansadas. Seria bom dormir naqueles braços musculosos.  Porém, lembrei-me de  que cedo,  tinha reunião. Luciano ainda  perguntou :
- Não quer ficar ?
-  Preciso ir. Se quiser, eu pego um táxi.
Ele  deu  um sorriso  desconcertante  :
- Nada disso. Quero  saber onde você   mora.
Passava das duas da madrugada quando Luciano me deixou na portaria do meu prédio. Seis horas eu estaria de pé.  Nossa despedida foi longa. Cheia de promessas. 

Trocamos os números dos celulares.  Eu não iria ligar. Luciano era gostoso demais, jovem demais, muito perigoso . Podia acabar me apaixonando.

A sexta-feira correu. Muitas reuniões. Trabalho. Saí do escritório nove da noite e fui direto pra casa. O final de semana passou rápido. Li um livro inteiro e vi dois DVDS.  Pensei em Luciano. Na boca. No corpo.  Ainda podia senti-lo me penetrando com desejo.

A semana começou arrastada.   Quarta-feira  resolvi voltar ao barzinho onde conheci  meu adorável jovem sedutor.
“ Entro ou não entro ? “ – Pensei . Tinha medo de encontrar Luciano com outra. Ou medo de não encontrá-lo .  Tomei  coragem.
Entrei. Ele  não estava lá. Pedi uma caipirinha para relaxar. De repente, um frio gostoso percorreu minha espinha,  quando ouvi  a voz de Luciano por trás do meu pescoço,   murmurando :
- Posso te pagar um drink, amor ?

3 de out de 2012

O casamento de Maria Isabel


Sales jantava na sala com o filho , quando Maria Isabel passou com uma mala e a chave de casa na mão. O marido  olhou curioso e perguntou :
-Ei , psiu, vai aonde com essa mala ?
- Vou morar com a minha mãe.
- Quê ?
- Não se finja de surdo. Isso mesmo que você ouviu.
- Não acha que está esquecendo alguma coisa ?
- O quê ? O resto das roupas, ? Se quiser, pode dar para a empregada.
- Não estou falando de roupas , estou falando do seu filho.
- O que tem ele ?
- Vai embora de casa e não vai levar o Washington ?
O menino franzino de dez anos, jantava e olhava para pai e mãe , na expectativa .
- Não. Ele fica com você. É seu filho também.
- Comigo ? Lugar de filho é ao lado da mãe. Se você quer ir embora, vai, mas leva o Washington com você.
- Você quer é ficar com o apartamento livre para colocar suas piranhas aqui dentro. Espertinho. Só que seu filho vai ficar aqui , tomando conta de tudo.
- É ? E quem vai cuidar dele ?
- A Dalva. Amanhã ela trabalha normalmente.
- E daí ? Eu só chego oito horas em casa. A Dalva vai embora ás cinco. De oito ás cinco quem é que fica com o Washington ?
- Ele está grande e pode se virar sozinho.
- Já jantou, Washington ?
O  menino balançou a cabeça timidamente.

- Então levanta e vai arrumar a mala. Você vai embora com a sua mãe.
O menino olhava para um e outro, assustado. Sales empostou a voz :
- Anda  Obedece ao seu pai. Vai arrumar a mala.
Enquanto o menino jogava algumas roupas na mochila,  Maria Isabel e Sales discutiam na sala :
- Isso não se faz, como é que eu vou levar o Washington pra casa da minha mãe ?
- Levando , ué. Ela não é avó do garoto ? Então, que cuide dele. Fico muito mais sossegado com ele lá do que aqui com a empregada.
- Você é um cínico . Assim que eu virar as costas , você vai  colocar mulher pra dormir na MINHA CAMA.
- Eu ? Quem está saindo de casa é você. Por mim, continua tudo como está .
- Um casamento de faz de conta ?
- Melhor do que nada. Pelo menos você tem marido. Tem gente que nem isso .
- E você acha que eu quero marido só pra vitrine ? Sabe há quanto tempo a gente não transa ?
-  Nem quero saber. Estou cheio de problema no trabalho. Vamos mudar de assunto. Daqui a pouco o jogo vai começar.
- É só isso que você sabe fazer  : Ficar aí sentado vendo jogo pela televisão.
- Tem coisa melhor ?
Washington voltou pra  sala com a mochila nas costas e um pacote de amendoim nas mãos.
- Tô pronto, mãe, vamos ?
- E deixar seu pai sozinho aqui ? Nunca ! É isso que esse cachorro quer. Vamos ficar.

O  menino voltou para o quarto e desarrumou as malas. Enquanto colocava as roupas de volta no armário, Maria Isabel  xingava o marido baixinho : “ Esse pilantra me paga. Pensa que é muito esperto. Ele vai ver.”
Sales foi até a geladeira, pegou uma cerveja, sentou no sofá, colocou os pés na mesinha de centro. Em seguida, se espreguiçou e colou  os olhos na tv.
Washington voltou pra sala e assistiu ao jogo deitado no colo do pai.  Maria Isabel  adormeceu com o coração  angustiado.  Antes de pegar no sono, pensou : “ Amanhã quando chegar no trabalho  vou falar com a Angela que o nosso plano falhou. Preciso de outra ideia. “

Chegou no trabalho oito em ponto, cheia de olheira, Angela perguntou :
-  E aí,  como foi ? Sales mordeu a isca ?
- Nada. Ainda debochou da minha cara. É um broxa mesmo.

 Prometeram conversar durante o cafezinho.

Final de expediente . Angela chamou a colega de trabalho num canto :

- Tenho um plano ótimo. Tem que ser no sábado. Duvido que ele não tome uma atitude.
- Não sei. Acho que ele não tem sangue.
Cochicharam.
- Será que vai dar certo ?
- Claro. O desejo de posse acaba falando mais alto.


 No sábado, Maria Isabel foi ao shopping , comprou um vestido e passou no salão. Fez cabelo e unha.
Sales  notou a transformação :
- Cabelo cortado e  pintado ? Vai sair ?
- Vou. – Respondeu  com ar misterioso.
O marido calou-se e continuou lendo o jornal.
 Por volta de dez da noite , Maria Isabel colocou Washington pra dormir e se arrumou.

Passou pela sala perfumada e de vestido novo.  Sales assistia a um filme comendo chocolate.  Olhou para a mulher rapidamente e voltou a atenção para a tv.

Maria Isabel  arrumou os cabelos em frente ao espelho da sala de jantar . Nada. Sales continuava impassível. Ela tentou :
- E aí ? Estou bem ?
-  Ótima !
A mulher  recebeu uma ligação no celular. Atendeu  e falou baixinho. Antes de sair, comunicou :
- Não vou dormir em casa.  Amanhã de manhã estou de volta.

Ele levantou os olhos, encarou  Maria Isabel,  coçou a cabeça e respondeu bocejando :
- Leva a chave.  Ah sim. cuidado, heim ? Não esquece da  camisinha.