Pesquisar este blog

29 de set de 2011

A revelação da irmã




              
Centro da  Cidade. Final de tarde de uma sexta-feira chuvosa. Iracema pegou a bolsa e saiu apressada do salão de beleza onde trabalhava como manicure. Assim que colocou os pés na rua e abriu o guarda-chuva,o celular tocou . Abriu a bolsa , pegou o celular e atendeu entortando o pescoço. Era Ieda. Irmã mais nova:
-         Iracema, está indo para a casa agora ?
-         Sim. A última cliente desmarcou e eu também não estou me sentindo bem. Algum problema ?
-         Preciso te contar uma coisa. É urgente.
-         Tá bom, fala logo. O que é ?
-    Por telefone não dá . Tem que ser pessoalmente. Eu estou saindo do trabalho e passo aí...
Iracema queria ir pra casa.  Precisava preparar o jantar  das crianças e do marido. Além disso o céu estava carregado . A chuva ia apertar.

- Deixa para outro dia, Ieda. Tô com pressa.
A irmã insistiu. Iracema tentou se desvencilhar :
-Fala amanhã. Vai lá em casa de noite. Jantamos juntas e conversamos.

Ieda deu um grito nervoso :
-Não . Deus me livre ! Na tua casa, não ! Tenho que te falar hoje. Agora. Já !

Iracema preocupou-se. “ O que Ieda tinha de tão grave para lhe falar ? “
 Desconfiada , aceitou se encontrar com a irmã num bar na Praça Quinze. Quando chegou , Ieda  já estava sentada  bebendo  uma cerveja.
Iracema se aproximou da mesa, puxou a cadeira e foi logo dizendo :
- Anda. Fala logo. Não vai dar para demorar.
-Calma. Bebe uma cerveja . Relaxa. Você vai precisar. Não tenha pressa.

Iracema perdeu a paciência :
_Ou fala agora   ou eu vou me embora e te deixo aqui sozinha.
- Estou sem coragem . Bebo para tomar coragem. Você vai ficar triste....
Iracema tentou  adivinhar:
-         Tá doente ? O Evaldo dormiu com a vizinha ? Fala !
-         Pior. Muito pior. Vamos embora. No ônibus te conto tudo.

Ieda pagou a conta  e puxou a irmã pelo braço. Saíram apressadas . Pegaram o ônibus cheio. Moravam em Nilópolis. Viajaram em pé. Iracema reclamou :
-         Tá vendo só ? Demoramos e agora olha como o ônibus está cheio  !? Mas fala, o que você queria me contar ?  

 A chuva tornou a cair. A Avenida Brasil estava um caos. Tudo congestionado. Curiosa, Iracema   pressionou   a irmã :

-         Fala...pelo amor de Deus, fala aqui mesmo ! Eu ordeno !
-          
Ieda tomou  coragem . Assim que  começou a falar,  passou ao lado do ônibus, uma moto com o cano de descarga solto, fazendo um barulho ensurdecedor. Iracema gritou :
- Não escutei. Fala mais alto.
A irmã encheu o pulmão e gritou :
-         TEU MARIDO TEM UMA A-M-A-N.T-E. É DO TRABALHO DELE.  UMA AMANTE. ....

Silêncio. Todos os passageiros olharam para a cara de Iracema. Alguns procuravam saber quem era a mulher traída :
 -Quem é ? Marido de quem tem amante ? Me mostra....

Ela  ficou sem graça. Branca. Os lábios de Iracema tremiam. Não sabia se era por causa da amante do marido ou por causa da irmã que parecia um carro sem freio e repetia a história dando detalhes.  Ela falava alto. Todos ouviam :
-         Sabe , eu vi os dois entrando num motel. Ninguém me contou. EU VI . Resolvi  investigar. Você sabe como eu sou....e ...
Iracema não queria ouvir mais nada. Disfarçou e fingiu que não era com ela. Pediu licença aos passageiros e  se dirigiu  para a porta de saída.  Deixou Ieda falando sozinha. A irmã não notou.

Iracema desceu num ponto qualquer da Avenida Brasil. Zonza. Andava de um lado para o outro . Nem se importou com a chuva caindo. Pensou  olhando para o nada. De repente um sorriso  iluminou- lhe  o rosto  .

Pegou outro ônibus . Chegou tarde em casa. Jorge esperava em frente ao portão com o rosto enrugado :
-         Teus filhos estão preocupados. Liguei para o celular da tua irmã, ela me disse que vocês se perderam no caminho. Teu celular  tá caindo direto na caixa postal. O que aconteceu ?
Iracema, cheia de carinho na voz,  respondeu agarrando o marido pelo pescoço :
-         Nada amor. Estava só pensando numas coisas aqui.Que tal amanhã a gente fazer um programa diferente ? Um motelzinho pra variar?!

Jorge estranhou o convite. Mas gostou da ideia. E entre encabulado e desconfiado, aceitou. No dia seguinte deixaram as crianças na casa da mãe de Iracema e  passaram a noite num Motel.

Na segunda-feira , Iracema  esperou o marido  com um  jantar  a luz de velas. Os dois passaram a viver a boa fase de início de namoro. Eram presentes . Passeios . Cinemas. Jantares. Telefonemas e mensagens fora de hora.

Em meio a grande fase que viviam no casamento, Iracema impôs uma única condição ao marido : Nunca mais queria ouvir o nome da irmã  em casa .
Descartou qualquer gesto de aproximação. Quando Jorge , estranhava a separação, já que as duas sempre foram amigas, e perguntava a esposa qual o motivo da mudança, ela respondia raivosa :
-  Ieda é uma cobra cascável . Tem inveja de mim ! Assunto encerrado . 

3 comentários:

LEO disse...

Boa semana pra vc!
Bjsss molhados
LEO


Eu que não me sento
No trono de um apartamento, com a boca escancarada
Cheia de dentes (na frente do meu Lap)
Esperando a morte dos blogues chegar...
E você???

OPINE no
seximaginarium.blogspot.com

Mara Narciso disse...

Inteligente e esperta ela é. Pega a garça no ar, como se costumava falar aqui em Montes Claros. A inveja mata, mas antes deixa rastros. Essa foi a valia de Iracema, que teve a chance de tentar salvar seu casamento com sexo e romance. Espero que dê certo.

Paulo Vitor Silva Dos Santos disse...

Como assim? e se a irmã estivesse falando a verdade????