Centro
da Cidade. Final de tarde de uma
sexta-feira chuvosa. Iracema pegou a bolsa e saiu apressada do salão de beleza
onde trabalhava como manicure. Assim que colocou os pés na rua e abriu o
guarda-chuva,o celular tocou . Abriu a bolsa , pegou o celular e atendeu
entortando o pescoço. Era Ieda. Irmã mais nova:
-
Iracema, está indo para a casa agora ?
-
Sim. A última cliente desmarcou e eu também não estou me sentindo bem.
Algum problema ?
-
Preciso te contar uma coisa. É urgente.
-
Tá bom, fala logo. O que é ?
- Por telefone não dá . Tem que ser
pessoalmente. Eu estou saindo do trabalho e passo aí...
Iracema
queria ir pra casa. Precisava preparar o
jantar das crianças e do marido. Além
disso o céu estava carregado . A chuva ia apertar.
-
Deixa para outro dia, Ieda. Tô com pressa.
A
irmã insistiu. Iracema tentou se desvencilhar :
-Fala
amanhã. Vai lá em casa de noite. Jantamos juntas e conversamos.
Ieda
deu um grito nervoso :
-Não
. Deus me livre ! Na tua casa, não ! Tenho que te falar hoje. Agora. Já !
Iracema
preocupou-se. “ O que Ieda tinha de tão grave para lhe falar ? “
Desconfiada , aceitou se encontrar com a irmã
num bar na Praça Quinze. Quando chegou , Ieda já estava sentada bebendo
uma cerveja.
Iracema
se aproximou da mesa, puxou a cadeira e foi logo dizendo :
-
Anda. Fala logo. Não vai dar para demorar.
-Calma.
Bebe uma cerveja . Relaxa. Você vai precisar. Não tenha pressa.
Iracema
perdeu a paciência :
_Ou
fala agora ou eu vou me embora e te
deixo aqui sozinha.
- Estou sem coragem . Bebo para tomar coragem. Você
vai ficar triste....
Iracema
tentou adivinhar:
-
Tá doente ? O Evaldo dormiu com a vizinha ? Fala !
-
Pior. Muito pior. Vamos embora. No ônibus te conto tudo.
Ieda
pagou a conta e puxou a irmã pelo braço.
Saíram apressadas . Pegaram o ônibus cheio. Moravam em Nilópolis. Viajaram em
pé. Iracema reclamou :
-
Tá vendo só ? Demoramos e agora olha como o ônibus está cheio !? Mas fala, o que você queria me contar ?
A chuva tornou a cair. A Avenida Brasil estava
um caos. Tudo congestionado. Curiosa, Iracema pressionou a irmã :
-
Fala...pelo amor de Deus, fala aqui mesmo ! Eu ordeno !
-
Ieda
tomou coragem . Assim que começou a falar, passou ao lado do ônibus, uma moto com o cano
de descarga solto, fazendo um barulho ensurdecedor. Iracema gritou :
-
Não escutei. Fala mais alto.
A
irmã encheu o pulmão e gritou :
-
TEU MARIDO TEM UMA A-M-A-N.T-E. É DO TRABALHO DELE. UMA AMANTE. ....
Silêncio.
Todos os passageiros olharam para a cara de Iracema. Alguns procuravam saber
quem era a mulher traída :
-Quem é ? Marido de quem tem amante ? Me
mostra....
Ela
ficou sem graça. Branca. Os lábios de
Iracema tremiam. Não sabia se era por causa da amante do marido ou por causa da
irmã que parecia um carro sem freio e repetia a história dando detalhes. Ela falava alto. Todos ouviam :
-
Sabe , eu vi os dois entrando num motel. Ninguém me contou. EU VI .
Resolvi investigar. Você sabe como eu
sou....e ...
Iracema
não queria ouvir mais nada. Disfarçou e fingiu que não era com ela. Pediu licença
aos passageiros e se dirigiu para a porta de saída. Deixou Ieda falando sozinha. A irmã não notou.
Iracema
desceu num ponto qualquer da Avenida Brasil. Zonza. Andava de um lado para o
outro . Nem se importou com a chuva caindo. Pensou olhando para o nada. De repente um sorriso iluminou- lhe o rosto
.
Pegou
outro ônibus . Chegou tarde em casa. Jorge esperava em frente ao portão com o
rosto enrugado :
-
Teus filhos estão preocupados. Liguei para o celular da tua irmã, ela
me disse que vocês se perderam no caminho. Teu celular tá caindo direto na caixa postal. O que
aconteceu ?
Iracema,
cheia de carinho na voz, respondeu
agarrando o marido pelo pescoço :
-
Nada amor. Estava só pensando numas coisas aqui.Que tal amanhã a gente
fazer um programa diferente ? Um motelzinho pra variar?!
Jorge
estranhou o convite. Mas gostou da ideia. E entre encabulado e desconfiado,
aceitou. No dia seguinte deixaram as crianças na casa da mãe de Iracema e passaram a noite num Motel.
Na
segunda-feira , Iracema esperou o marido com um
jantar a luz de velas. Os dois
passaram a viver a boa fase de início de namoro. Eram presentes . Passeios .
Cinemas. Jantares. Telefonemas e mensagens fora de hora.
Em
meio a grande fase que viviam no casamento, Iracema impôs uma única condição ao
marido : Nunca mais queria ouvir o nome da irmã
em casa .
Descartou
qualquer gesto de aproximação. Quando Jorge , estranhava a separação, já que as
duas sempre foram amigas, e perguntava a esposa qual o motivo da mudança, ela
respondia raivosa :
- Ieda é uma cobra cascável . Tem inveja de mim
! Assunto encerrado .
2 comentários:
Boa semana pra vc!
Bjsss molhados
LEO
Eu que não me sento
No trono de um apartamento, com a boca escancarada
Cheia de dentes (na frente do meu Lap)
Esperando a morte dos blogues chegar...
E você???
OPINE no
seximaginarium.blogspot.com
Inteligente e esperta ela é. Pega a garça no ar, como se costumava falar aqui em Montes Claros. A inveja mata, mas antes deixa rastros. Essa foi a valia de Iracema, que teve a chance de tentar salvar seu casamento com sexo e romance. Espero que dê certo.
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