Nervosa, Maria Regina ligou para Ana :
- Amiga , preciso falar com você. É urgente.
- Mas o que aconteceu ?
- Pessoalmente.
- Já sei. O assunto é homem.
- Isso.
- Mas é tão grave assim ?
- Estou muito sentida. Triste. Preciso desabafar.
- Sim. Então vamos nos encontrar. O que você sugere ?
- Que tal no boteco do Arlindão ?
- Tá bom. Amanhã.
- Hoje.
- Mas são quase dez da noite. Amanhã eu trabalho.
- Não sei se agüento até amanhã.
- Amanhã é sexta. Segura a ansiedade. Nos encontramos ás oito, tá bom ?
- Ok.
Desligaram. Maria Regina andava de um lado para o outro. Mexia no computador.
Enrolova os longos cabelos no dedo. Ia até a janela. Precisou de um sonífero para dormir. Acordou com gosto de ressaca. Trabalhou de mau humor. Não via a hora de se encontrar com Ana. Melhor amiga. Sabia ouvir. Dava bons conselhos.
O dia passou com gosto de pão dormido. Um vazio insuportável ecoava no peito de Maria Regina. Fim de expediente. Desanimada, ela pegou a bolsa e o casaco, passou o cartão e seguiu para o ponto de ônibus. De lá , ligou para Ana :
- Confirmado ás oito no boteco do Arlindão ?
- Confirmado.
- Já saí do trabalho. Vou chegar mais cedo.
- Saio daqui a pouco. Até já.
Maria Regina entrou no ônibus. Coletivo cheio, viajou resmungando . Chegou em Madureira dez para ás sete. Andou devagar pelas ruas. Precisava pensar. Acalmar os sentimentos. Sentia-se desgastada. Era sensível demais – acreditava. Os problemas tornavam-se um martírio. Principalmente as dores de amor. Sete e cinqüenta ligou novamente para Ana. Estava descendo do ônibus.
Sentou-se de frente para a porta. Pediu uma cerveja enquanto olhava as mulheres que chegavam acompanhadas . Sentia inveja. Uma dor sufocava-lhe o peito. Teve vontade de chorar. Quando a primeira lágrima saía dos olhos, Ana chegou. Alegre e perfumada, nem se acomodou direito. Logo perguntou :
- E aí, amiga, que tanta urgência é essa de falar comigo ? O que aconteceu ?
- Estou muito decepcionada.
- Fala logo. O que aconteceu ?
- Ednardo me deletou do Orkut .
- Hã ? Eu entendi direito ?
- Não se faz de surda. Entendeu. Estávamos ficando. Semana passada ele foi lá em casa e depois me descartou no virtual.
- Vocês brigaram ?
- Nada. Pensei até que a relação fosse engrenar.
- Então . O que aconteceu ?
- Não sei. Do nada o o vigarista me tirou do Orkut e me bloqueou no MSN
- Já ligou pra ele ?
- Já. Não atende.
- Parte pra outra amiga. Ei garçom, um chope, por favor !
- Falar é fácil.
- Ué, vai fazer o quê ? Cortar os pulsos ?
- Estou decepcionada. Falta de consideração.
- Consideração de homem ? Homem a gente aproveita e joga fora.
- Não consigo parar de pensar nele.
- Já tentou falar com ele no facebook ?
- Ele não tem. Pelo menos disse.
- Menos pior. Pensa : Imagina se tivesse ? Ia te deletar de lá também.
Maria Regina olhou fixo para Ana. Um olhar atrofiado. Incerto. Pegou o chope que o garçom acabara de deixar sobre a mesa e jogou-o no rosto da amiga. Em seguida, pegou o copo e raivosa, estraçalhou na mão. Jogou os cacos no chão, pisou em cima e saiu do bar gritando desvairada.
Um minuto depois, Ana escutou uma freada seguida de um grito de mulher.
3 comentários:
kkkkkkkk
Muitos e nós levamos as coisas pelo lado virtual (não pessoal mais) rsrsrs
Excelente conto... Bem por ai a realidade de mitos hj
Beijoss
Pobre da amiga que ofendeu a outra sem querer...
O mundo virtual às vezes causa rompimentos reais.
Eu não guento cara... É muita comédia. KKKKKKKKKKK
Mas que mulher nervosa.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Você é a melhor escritora de contos da net. Sem sombra de dúvidas. Fantástico o jeito como você prende a atenção do leitor, e o que eu mais gosto são os nomes que você dá a pessoas, lugares... é tudo populísta, nos remete ao bons tempos de gafieira. Olha o nome do bar. Arlindão. Cara... Por um momento eu penso que você incorpora o espírito que ronda A GRANDE FAMÍLIA. É muito foda.
Beijos Grandes do Conde. Teu fã.
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