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26 de abr de 2011

Do outro lado da porta

Nove horas da manhã de um sábado nublado . Acordei com o vizinho de cima martelando na minha cabeça. Tive vontade de enfiar uma bermuda e esmurrar a porta do cidadão. Respirei fundo, contei até dez e saí da cama conformado. Antes de escovar os dentes fui até a cozinha pra fazer um café forte. Ao passar pela sala, vi que, por baixo da porta, entrava um líquido vermelho que parecia sangue. Parecia ? Não, era sangue. Ou seria algum produto de limpeza novo e o faxineiro, descuidado, deixou escorrer ?
Interfonei para o porteiro e perguntei se havia algum servente fazendo faxina pelos andares. Não havia. Curioso e ao mesmo tempo intrigado , me abaixei, passei a mão e quase vomitei. Era sangue. Cacete, havia alguém morto do outro lado . Homem ou mulher ? Um animal ? Ou seria uma brincadeira de mau gosto das crianças do quarto andar ? Abrir a porta e verificar ? Mas se eu abrisse e o defunto estivesse encostado na soleira da porta e caísse na minha sala ?

Por um momento tentei acreditar que era um pesadelo e logo passaria. Coloquei o café pra fazer. Entrei no banheiro com a cabeça latejando. Tomei uma ducha, escovei os dentes e voltei pra sala. O sangue invadia meu apartamento formando uma poça. E se eu ligasse para a polícia ? Seria suspeito de assassinato ? O telefone tocou . Dei uma pulo. Era Carla, minha namorada . Tínhamos combinado de viajar pra Búzios e eu estava atrasado meia hora. Expliquei o que acontecia. Ela me chamou de mentiroso e desligou sem despedidas.

Tomei coragem e interfonei para o porteiro. Meia hora depois a polícia batia na minha porta acompanhada do Severino. Abri com o coração aos pulos. Olhei para o chão e lá estava o corpo de um desconhecido, aparentando 40 anos, com a cabeça ensanguentada, a boca aberta e os olhos arregalados. Sem conseguir respirar, eu olhava para o defunto, para a polícia e buscava explicação no rosto do Severino. Nervoso, o porteiro gaguejava contando aos policiais que o morto era genro do morador do 502, meu vizinho do lado .

O homem entrara pela manhã no prédio. A polícia perguntou pelo morador do 502. O porteiro explicou que ele costumava passear com o cachorro pela manhã.
A notícia se espalhou pelo prédio. Em poucos minutos , o corredor do meu andar lotou de curiosos . As mal –amadas que moravam em frente vibravam com a confusão. Finalmente um assunto diferente para animar o sábado – imaginei . As crianças desciam gritando pelas escadas. E a polícia me crivando de perguntas.

Eu repetia que nunca vira o morto, mas não convencia . O policial baixinho e de bigode era o mais desconfiado. Ele achava estranho que eu não tivesse ouvido nenhum barulho de briga. Expliquei que estava com a porta do quarto fechada e o ar-condicionado ligado. Que o único barulho que eu ouvia era do vizinho de cima martelando na minha cabeça.

Meu telefone tocou. Era minha mãe preocupada. Acabara de escutar a notícia no rádio. Tranquilizei-a dizendo que eu não era nenhum assassino. Uma da tarde, Seu Soares, sogro do morto, chegou acompanhado de Adamastor, um Coker de cinco anos. O policial baixinho e de bigode entrou com Seu Soares no 502. Ficaram trancados durante duas horas. Seu Soares saiu chorando acompanhado do policial.

Ele confessou o crime. Contou a polícia que seis e meia da manhã o genro tocou a campanhia. Os dois discutiram por causa de um empréstimo que o morto fez em nome dele e não pagou. Seu Soares ameaçou contar a filha. O genro o jurou de morte e saiu batendo a porta. Voltou e meteu a mão na maçaneta. A porta estava trancada. Tocou a campanhia. Amedrontado, Seu Soares abriu a porta com uma barra de ferro na mão. Novo desentendimento. Seu Soares tacou a barra de ferro na cabeça do genro . Ele caiu na minha porta. Acreditando que o marido da filha estava apenas desmaiado, foi passear com o cachorro e depois resolveu parar num boteco para tomar uma cerveja.

Assim que o rabecão retirou o corpo por volta de três da tarde, pedi ajuda a um faxineiro para limpar o sangue . Passei o resto da tarde explicando as minhas tias e a minha mãe o que acontecera. Desliguei o telefone com a cabeça explodindo. Tomei um analgésico e ia me enfiar debaixo do chuveiro, quando o telefone tocou novamente. Era Carla. Ouviu o crime no noticiário e queria me pedir desculpa. Detesto mulher desconfiada. Recusei secamente o convite para uma saída. Ouvi alguns desaforos e levei com o telefone na cara. Não me importei. Já estava acostumado .

Durante vinte minutos deixei a água fria escorrer pelo meu corpo tenso. Saí do banho e meu estômago roncou. Estava até aquela hora apenas com um cafezinho. Resolvi comer uma pizza perto de casa. Equanto comia a pizza e bebia um chope, uma loira jantando numa mesa um pouco distante, não parava de me olhar . Correspondi. Paguei a pizza e fui até a mesa da mulher.

Quando sentei, percebi a mancada. O pomo de adão denunciava. Pedi desculpas e corri para o meu apartamento. Saí do elevador e quando olhei para o chão lembrei do corpo ensangüentado. Tive ânsia de vômito. Entrei no apartamento, fechei a porta do quarto , liguei o ar-condicionado e já me preparava para dormir, quando lembrei de uma coisa importante : a vassoura. Jurei que, se o filho da puta do vizinho de cima me acordasse martelando na minha cabeça , ia ter guerra .

Exausto do mundinho de merda, adormeci quinze minutos depois .

17 de abr de 2011

Ideia fixa


Assim que chegou no aniversário de Simone, Acacinha apontou para um rapaz alto e moreno que conversava  com um grupo e falou com Sônia :
- Está vendo aquele moreno lindo ali  ?
- Sim, estou. O que tem ele ?
- O homem da minha vida !
- Conhece de onde  ?
- Nunca vi mais gordo. Primeira vez.
- Tá doida ? Você não sabe se o cara  é casado, se tem namorada....
- Não interessa. Olhei, gostei e estou dizendo : é o homem da minha vida.
- Mas ele pode ser gay, não gostar de você...milhões de coisas...
- Vai gostar, eu garanto. Vou pedir para a Simone me apresentar. Cadê ela   ?  
Encontraram a aniversariante conversando  com duas amigas. Afoita , Acacinha puxou-a pelo braço :
- Quem é aquele moreno de camisa azul listrada ? Aquele ali ! – E apontou.
- É o Claudecir . Por quê ?
- É o homem da minha vida.
- Ihhh Acacinha, desencana. O cara está de casamento marcado.
- Casamento termina até na porta da Igreja. Me apresenta ?
Não havia argumento que fizesse Acacinha desistir. Foi acometida daquelas cismas que viram idéia fixa.
Quando as três se  aproximaram do grupo, Acacinha notou que Claudecir se despedia. Aproveitou para pedir  carona. O rapaz não teve como negar. Antes de sair , Sônia segurou Acacinha pelo braço e recomendou :
- Juízo, hein ? O cara vai casar.
Acacinha sorriu maliciosamente :
- Não vai ter casamento. Ele é o homem da minha vida.
Sônia preocupou-se . Sabia que a amiga era um poço de mimo e não aceitava contrariedades.
Acacinha não precisou se esforçar  para seduzir Claudecir e convencê-lo a entrar num motel . Amava  a noiva, mas era viciado em traição  .
Quando acordou no dia seguinte, recuperado da  bebedeira, Claudecir tomou um susto ao ver Acacinha . Enquanto ela sonhava com a noite, ele a pressionava :
- Quase 10 da manhã. Combinei de almoçar com minha noiva . Vamos embora já !
Acacinha sentiu-se um lixo. Uma mercadoria usada e jogada fora. Queria puxar assunto, mas não recebeu atenção :
- Me diz logo onde você mora, estou com pressa...
- Quando a gente se vê novamente ?
- Desculpe..não prometi nada...não me leve a mal , sou noivo...vou casar.....
Acacinha emburrou. Saiu do carro batendo a porta. Nunca fora tão humilhada em toda a vida. Ligou para  Sônia e ainda levou sermão :
- Eu avisei.  O cara tem fama de conquistador barato.....
-  Esse casamento não sai, Sônia ! Só passando por cima do meu cadáver. Ele vai engolir essa fama, ou não me chamo Acácia da Luz !
Como toda mulher rejeitada, ressentiu-se e batia o pé igual criança mimada:
- Será uma vingança e tanto ! Um grande vexame ! Ele vai ser meu ! Só meu !
Planejou  a vingança. Queria algo  que causasse um grande constrangimento para o noivo mulherengo.  Ficava horas deitada na cama olhando para o teto a ruminar pensamentos . A mãe não entendia a abstração de Acacinha   :
- Vem jantar, filha . O que tanto você olha para o teto ?
-Não estou com fome ! A vingança é um prato que se come frio !
E ria descontroladamente .
No dia do casamento, na hora da cerimônia , Acacinha estava na porta da Igreja.  Assim que a noiva entrou , falou com Babizinha que a acompanhava :
- Vai, hora do show !
Babizinha era um travesti desengonçado de um metro e oitenta de altura, magro, de  cabelos longos e pretos , calçava sandálias douradas e estava com  um minivestido vermelho. Quando Babizinha entrou na Igreja chorando alto, os convidados olharam para trás. O travesti correu em direção ao altar gritando :
- Você não pode me deixar, Claudecir ! Não casa com essa baranga !
A noiva  indignou-se:
- Que palhaçada é essa  ?
O padre rezou um Pai Nosso .  Alguns convidados riam, achando que era uma pegadinha. Burburinho geral.  Babizinha gritava , esperneava, chamava Claudecir  de amor , ele  não conseguia reagir. Abobalhou-se. A noiva caiu nos braços do padrinho :
- Bem que você me dizia que ele era gay ! Agora podemos ficar juntos !
Enquanto a confusão continuava na Igreja, Acacinha colocou os óculos, pegou um bloquinho e rabiscou, pensando alto  :
- Primeiro plano foi um sucesso . Hora de colocar o segundo plano em prática.
Guardou o caderninho e prometeu a si mesma que nunca deixaria Claudecir
em  paz.  Saiu cantarolando pela rua :
- A vingança é um prato que se come frio....a vingança é um prato que se come frio.......lá lá lá lá lá .....
Voltou. Foi até o estacionamento da Igreja. Furou os quatro pneus do carro de Claudecir, deu uma risada débil  e novamente saiu cantarolando :
- A vingança é um prato que se come frio....lá lá ri lá lá lá 

10 de abr de 2011

A prima do Robertinho

                                      A família estava reunida durante o jantar, quando Alice perguntou ao primo :
- Robertinho, você seria capaz de morrer por  amor ?
 Alzira, mãe de Alice, sem graça, com a pergunta indiscreta da filha, desculpou-se :
-  Você conhece sua prima, sabe que ela não tem juízo. Esquece o que ela disse. 
Sônia, esposa de Robertinho, desconfiada e ciumenta, saiu em defesa do marido :
-  Eu e Robertinho somos bem casados e ele não tem motivo para morrer por  amor. Alice devia  pensar antes de falar. Parece que tá agourando !
Alice riu cinicamente :
- Nunca se sabe ! Estamos no século vinte e um , mas nada impede .
Dona Alzira irritou-se :
-  Chega ! Respeite seus tios.Respeite a hora da refeição.
Sônia e Robertinho começam uma discussão. Alice sai da mesa resmungando :
- Família reunida sempre tem lavação de roupa suja. Cruzes !
O primo vai atrás :
- Querendo me desmoralizar na frente da Sônia , dos meus  filhos e dos meus pais ?
- Não falei nada demais.  Só fiz uma pergunta inocente. Não tinha motivo pra confusão.
- Todos sabem que namoramos na adolescência e você vive se insinuando e fazendo  piadinhas bobas.  

Alice sorri debochada, segura o primo pela mão, e cochicha-lhe no ouvido:
-  Bem que podíamos  ser amantes. –Diz provacante.
Um frio percorreu a espinha de Robertinho. Ia responder, dele a espinha de  quando a esposa o chamou.

Alice olhou o casal, ressentida. Estava com trinta anos. Acreditava que Robertinho era o amor da sua vida . Recusou vários casamentos , na esperança do primo separar-se. Não conseguiu esquecer  as brincadeiras de infância, nem o namoro da adolescência. Robertinho conheceu Sônia na faculdade. Dois anos depois, casaram-se. Apaixonada pelo amor adolescente, Alice desiludiu-se e prometeu que reconquistaria o primo.

Por volta de uma da manhã, os parentes  se despediram, prometendo um novo encontro para comemorar o aniversário do filho mais novo de Robertinho e Sônia. Alice foi para o quarto  e antes de adormecer pegou a foto do primo e colocou debaixo do travesseiro.  
Na segunda-feira, acordou disposta a procurá-lo  para declarar-se. Chegou  no escritório dele antes do meio-dia  e foi  recebida com descaso:
- Estou ocupado. O que você quer comigo ?
- Não posso visitá-lo ? Sou sua prima.
- Eu sei. Mas aqui é meu local de trabalho. Aconteceu alguma coisa ?
Alice sentou-se, puxou a saia, deixando as pernas á mostra e respondeu sensualmente :
- Sim, aconteceu . Sonhei que fazíamos amor.

Sem jeito, com a resposta inconveniente, expulsou a prima. Alice insistiu. Ele aumentou o tom de voz. Ela partiu, prometendo voltar.
Obcecada pelo amor da adolescência, passou a visitá-lo toda semana  com desculpas familiares.  
Na quinta semana, Robertinho se entregou a lúxuria , ao ver a prima nua, deitada no sofá do escritório, dizendo-lhe selvagemente  :
- Sonhei que você me dava na cara e mordia meu corpo, vem !
Cheio de desejo, agarrou-a  com violência  e fizeram amor até o final do expediente.
Passaram a se encontrar toda semana. Quando a esposa desconfiou que estava sendo traída, resolveu questionar o marido .  Robertinho decidiu acabar com os encontros extraconjugais.  Alice desesperou-se :
- Você não pode destruir meus sonhos ! Seu corpo pertence a mim. Nos amamos.
- Não. É só sexo. Não é amor. Amo minha esposa e meus filhos.
- Mentira ! Você é meu  ! Foi meu primeiro homem.  Ela o roubou de mim.
- Coisa de adolescente. Passou. Não adianta querer reviver o que não existe mais.
- Você ME PAGA, Robertinho  !
Alice vai embora, mas antes,  promete vingar-se.
Um mês depois volta a procurá-lo :
- Precisamos conversar !
- Vai embora. Esquece o que passou.
- Impossível. ESTOU GRÁVIDA !
- Mentira !
- Olha o exame.
-  Sai daqui , Alice. Sônia vem ao escritório. Não quero você aqui quando ela chegar.
- Me trata como lixo ? Goza em mim como um cachorro no cio e agora me descarta?
Discutem. Alice chega até a janela e grita enlouquecida :
- Você vai me pagar  ! Você NUNCA vai ser feliz ! Vou encontrá-lo no inferno !
Ele ainda tenta segurar a prima, que toma impulso e se joga do oitavo andar. Robertinho coloca as mãos na cabeça e urra desesperado  :
- Não tive culpa ! Essa doida se jogou ! Ela se jogou !

Logo a confusão se formou na portaria. Quando Sônia chegou, Robertinho contou-lhe que a prima, num ataque furioso, se jogou pela janela. Aos policiais, falou a mesma coisa. Omitiu, porém, que eram amantes. Disse  que a prima sofria de problemas psiquiátricos e já ameaçara suicidar-se outras vezes. A família confirmou .
No enterro, a melhor amiga de Alice lê uma carta deixada pela  suicida. Fotos de um  celular e um exame de gravidez, confirmam o envolvimento amoroso entre Alice e o primo. A família fica estarrecida. Sônia furiosa com a revelação, transtorna-se :
- Traidor! Mau-caráter !  Nunca mais quero olhar na sua cara ! ADEUS !

Sônia sai da capela aos prantos. Robertinho vai atrás. O velório vira uma grande feira na hora da xepa. A morta  sorri no caixão, ao ver a confusão armada.
Na porta do cemitério, Sônia atravessa a rua gritando :
- Não me procure mais , Robertinho! Nosso casamento acabou ! SOME DA MINHA VIDA , vigarista !
Quando Robertinho  vai  atravessar, fica confuso  ao ver do outro lado da rua, Alice acenando para ele. Não percebe a aproximação do  carro em alta velocidade. Morre na hora. Em meio a aglomeração, Alice se aproxima, acaricia o rosto ensanguentado do morto e murmura :
- Eu não disse que você iria  para o inferno junto comigo ?!


3 de abr de 2011

A Mulher que não gozava !

                                             
                                           
Renatinha esperava a amiga na pizzaria com ansiedade. As duas que  sempre foram muito unidas, já não se viam há dois  anos, desde que Renatinha fora estudar nos Estados Unidos. De volta, a primeira coisa que fez foi ligar para Mariuska :
-          Uska , sou eu, Renata. Estou de volta , precisamos conversar, tenho muitas novidades.
-          Natinha, que saudade ! Eu também. Me separei. Estou divorciada.
Combinaram o encontro na  pizzaria que iam nos tempos da faculdade. Quando Mariuska chegou, os olhos de Renatinha ficaram marejados e ela mordeu os lábios de emoção :
-          Uska, que saudade ! Tentei falar com você por e-mail, mais era tanta coisa, tive que estudar tanto que não dava nem para computador ! E você sabe que eu não gosto desse mundinho virtual.
-          Não tem problema. Vamos colocar nosso papo em dia  aos poucos.
-          Mas me diga Uska !? Você se separou do Rodolfo ? O que aconteceu ?
-          Sexo.
-          Sexo ???? Como assim sexo ???? Ele queria todo dia ?
-          Não. Muito ruim de cama. Ficava cada vez pior.
-          Você não viu isso no namoro ?
-          No namoro eu estava apaixonada .Depois do casamento a gente avalia com mais rigor e..
-          E...
-          Muito ruim de cama. Nos últimos três meses de casamento então, transava , virava para o lado e dormia . Não queria saber se eu tinha gozado ou não. Eu nunca gozei com ele para ser sincera.
-          Ahhhhh....e vocês não conversaram sobre o assunto ?
-          Tentei. Mas quando acaba o tesão, acaba tudo !
-          Eu sempre acreditei nisso também. Relação sem sexo e sem tesão não sobrevive mesmo. Esse negócio de dizer que existe amor  sem sexo....só se for de pai e mãe...
-          E te digo mais – completou Mariuska – Ele podia se vestir de batman que não conseguia mais me excitar....o tesão acabou ! Morreu !
As duas riram e nem viram a hora passar. Renatinha falou primeiro :
-          Mulher, quase meia noite, amanhã tenho muito o que fazer. Já que você está solteira vou te apresentar o Alfred, um amigo dos states que está passando férias aqui. Quem sabe você não se apaixona e...o sexo com ele pode ser gostoso. Ele é um garanhão.
Mariuska ficou excitada. Nunca havia transado com um estrangeiro. Quem sabe ?
Combinaram um novo encontro. Dessa vez com a presença de Alfred. A semana passou rápida. No sábado   se encontraram na balada. Renatinha levou Alfred. Apresentou a amiga. Os dois conversaram a noite toda sobre vários assuntos, enquanto Renatinha dançava com outra amiga .
Mariuska  sentiu atração por Alfred. Os dois tinham algo em comum : haviam se separado recentemente. Durante a conversa , as afinidades cresciam. Na despedida, trocaram telefone.
No dia seguinte saíram sozinhos. Duas horas de conversa e foram parar num motel. Uma hora depois Mariuska estava decepcionada. Não conseguiu gozar com Alfred. Disfarçou para não desapontar o americano e  pediu para ir embora. Disse que estava passando mal, com dor de cabeça e muito  enjoada. Se despediram secamente.
Assim que chegou em casa, jogou a bolsa em cima da cama e ligou para a amiga :
-          Natinha...sou eu ! Foi um fracasso amiga. Não gostei do cara. Não consegui gozar com ele.
-          Jura ? Mais me diziam que ele era bom de cama. Faziam a maior propaganda do Alfred nos states...
-          Uma porcaria....muito apressado. Não gosta de preliminares...um horror !
-          Poxa, fiquei chateada. Eu que apresentei o cara.
-          Mandou mal , hein ? O cara parece galo depois da briga...rouco.. rouco....
Terminaram a conversa ás gargalhadas.
Antes de voltar para os states, Alfred ligou para Mariuska  três vezes. Foi rejeitado.

Mariuska resolveu desencanar. Não queria forçar um encontro. Preferia primeiro se apaixonar. Acreditava que assim , acontecendo naturalmente, tinha chance de ser  feliz no sexo. Renatinha ainda tentou apresentar novos amigos a Mariuska. Mariuska recusou. As duas retomaram a antiga amizade . Saíam juntas nos finais de semana e durante a semana se ligavam para contar as novidades.
Nesse tempo Mariuska conheceu Luis Norberto, o novo colega de trabalho. Bonito, olhos claros, alto, simpático e  sedutor. Amante á moda antiga. Dava sempre a vez as mulheres, tratava bem  todas as colegas de trabalho. Era amigo, atencioso,  dedicado e ainda por cima, inteligente. Luis Norberto passou a ser paquerado pelas colegas de escritório, mas foi para Mariuska que dedicou  mais atenção. Conversavam na hora do almoço  e nos intervalos para o cafezinho . Ele ensinava o trabalho a mariuska com muita paciência. Se tornaram íntimos, para inveja das outras que faziam muxoxo quando Mariuska pegava uma carona com Luis Norberto.
Renatinha logo tomou conhecimento da paixão da amiga.
Luis Norberto e Mariuska começaram a namorar. Com duas semanas de relacionamento foram para a cama. O sexo foi frio. Sem graça. Mariuska não gozou. –
 A culpa deve ser do pênis de Luis Norberto, pequeno demais –  pensou Mariuska. Com sexo sem satisfação, o namoro durou pouco. Logo Mariuska se desinteressou . Assim foi com os três outros namorados. Se tornou uma mullher insatisfeita e amarga. Depois do divórcio não conseguia se satisfazer sexualmente com homem nenhum. Procurou Renatinha para desabafar :
-Acho que o defeito é meu.
-Então por que não vai ao ginecologista ? Ele pode dar um remédio...
-          Remédio ? Remédio para gozar ? Não existe, Natinha. Transo como se estivesse indo ao banheiro fazer necessidade e....e....o que foi Natinha ?
Renatinha  olhou para a amiga enternecida. Se aproximou de Mariuska :
-          Você ainda não percebeu nada, Uska ?
-          Percebeu o quê ?
-          Eu não acredito que você seja tão desligada... fala de homem e eu nunca falo de homem. Não se toca ? Não percebe ?
Mariuska tentava entender o que a amiga  dizia . Olhava para ela...pensava....enquanto Renatinha se aproximava.  Quando Renatinha colocou as mãos nos cabelos de Mariuska,  ela  se levantou rápido :
-          Vou me embora....o papo está bom, mas tenho que ir.......
Renatinha segurou nas mãos da amiga  e com lágrimas nos olhos disse com emoção na voz : -Não vai embora...precisamos conversar....eu sempre fui apaixonada por você, quando você se casou foi a maior decepção..vem......posso te fazer feliz...dar o que não encontrou nos homens...e...
Carente, Mariuska se comoveu  ao ver o choro. Passou as mãos pelos  cabelos da outra . Ficaram se acariciando horas. O sangue foi subindo pelo corpo de Mariuska . Ela se rendeu aos carinhos da amiga e se beijaram com paixão. Mariuska amanheceu ao lado de Renatinha. Acordou com um sorriso nos lábios . Finalmente – pensou – encontrara a tão sonhada felicidade nos braços da melhor amiga.