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17 de mar de 2011

O ciumento

Gelson e Martinha estavam casados há 10 anos. Não tinham filhos. A mulher era dedicadíssima ao marido. Tudo seria perfeito se não fosse o ciúme doentio de Gelson. Martinha era prisioneira em sua própria casa. O marido não deixava a esposa sair sozinha. Tinha medo que ela arranjasse um amante. Seus pertences eram sempre revistados. 
Gelson vasculhava os armários acreditando que podia encontrar bilhete de um amante. Não adiantava a mulher dizer que o amava e que nunca o trairia. Ele tinha complexo de corno. Nasceu assim. Bagagem  de outra vida.
Quando jantavam fora,  era sempre a mesma ladainha:
- Martinha....aquele cara tá olhando para você...se ele olhar novamente vou tomar satisfação......

Martinha ria de nervoso com medo de briga e dava sempre um jeito de acalmar o ciumento :
-  Amorzinho... não tem ninguém me olhando, deixa disso...vamos comer em paz, pelo menos dessa vez.

Voltavam a comer , aparentemente em paz. Mas Gelson ficava de olho  na mesa vizinha, com medo que  mexessem com a esposa.

As amigas de Martinha não sabiam onde ela arranjava paciência para conviver com o ciúme doentio do marido. De tanto falarem, ela também começou a ficar  enjoada das desconfianças de Gelson. Eram dez anos convivendo com discursos contra a traição, escândalos e ciúme sem fundamento. Paciência tinha  limite  e a dela chegava ao fim.
Numa sexta-feira, início da noite, o que poderia ficar pior, melhorou. Martinha assistia a novela preferida, quando o marido chegou do trabalho, eufórico:
- Amor, sabe quem eu encontrei no Metrô da Carioca!? Lembra do Joaquinzinho ? Meu amigo de Faculdade...lembra ?  Eu falava muito dele pra você....
A mulher balançou a cabeça afirmativamente e com ar desconfiado.Gelson continuou :
- Ele mora duas estações depois da nossa. Batemos um longo papo. Também se casou e não tem filhos. Eu o convidei para vir com a esposa almoçar amanhã.  Toma. Já fiz até as compras !

Contrariada com a visita inesperada, no sábado, Martinha acordou preguiçosa para preparar o almoço .  Dez da manhã já estava na cozinha para fazer a comida preferida do amigo do marido. Era esforçada. Tentava agradar de todas as maneiras. Mas o  ciúme era como uma erva daninha a minar o casamento. 


Estranhamente , com o amigo, o marido agiu diferente . Gelson estava empolgadíssimo com a visita do companheiro de faculdade e deixou de lado o ciúme doentio .  Antes de Joaquinzinho chegar com a esposa ,  não fez nenhuma recomendação especial a Martinha.

Por volta do meio dia a campanhia tocou e o amigo de Gelson apareceu acompanhado da esposa, Rejane. 

Martinha ficou impressionada com a  beleza e a simpatia de Joaquinzinho.

O almoço correu tranqüilo e cheio de gentilezas. Enquanto Gelson e Joaquinzinho recordavam os velhos tempos de faculdade, Rejane e Martinha aproveitaram para se conhecer melhor. O casal fez amizade. Passaram a sair quase todos os finais de semana.
Pela primeira vez Martinha sentia-se  feliz no casamento. O marido deixou o ciúme doentio adormecido. Não foi capaz de perceber os olhares trocados entre Martinha e Joaquinzinho.

Numa Segunda- feira chuvosa , ela estava em casa lendo um livro, quando a campanhia tocou. Era Joaquinzinho :
- Desculpe...é que eu vim visitar um cliente aqui perto e como está chovendo muito, acabei me molhando todo. Lembrei que vocês moram  perto e vim me ajeitar , tirar a roupa molhada. ..e..e....

Quinze minutos  depois, Joaquinzinho e Martinha estavam entre beijos e amassos na cama onde ela dormia com Gelson. Depois de transarem como dois selvagens, o amigo do marido confessou:
- Foi tesão a primeira vista. Assim que te vi, senti que você seria minha.

Martinha deu uma sonora gargalhada:
- Eu também . Assim que te vi , meu coração quase saiu pela boca.

Tornaram-se amantes, com a cumplicidade indireta do marido. Sempre que os quatro se encontravam e iam jantar fora, Martinha e Joaquinzinho trocavam carícias, com os pés , por debaixo da mesa.


Depois na cama, riam da ingenuidade de Gelson, e da delícia de estarem nos braços um do outro.

O marido continuou ciumento. Desconfiava do padeiro, do vizinho, do homem da loja de móveis....até do irmão. Nunca desconfiou de Joaquinzinho. Pra ele, o amigo era sagrado. Quase um santo.






11 comentários:

Ni disse...

Ou seja, não adianta, quem nasce pra corno, corno vai ser!

Beatriz Prestes disse...

Adorei minha amiga...
Teu talento transcende!!
Um show!
Beijo carinhoso
Bea

Nilson Barcelli disse...

O ciume doentio é uma desgraça.
Amigo não trana com a mulher do amigo. Não eram amigos, portanto.
E o corno é um ingénuo inseguro.
Um bom texto com um bom exemplo de traição, que é relativamente comum, de resto.
Beijos, querida amiga.

Jujuba disse...

Ciúmes doentios não resolvem, se a pessoa quiser fazer algo, ela vai fazer, não importa a rédea curta que tenha!

E nada de segundo livro, Celamar?

bjuuu

Tatiana disse...

Olá!
Venho até aqui pedir a sua atenção para um assunto sério e que com a união e participação de todos poderemos salvar vidas.
Eu e o meu amigo Milton Kennedy, resolvemos nos unir em prol de uma campanha sobre a doação de medula óssea e contamos com todos os amigos da Blogosfera para divulgá-la.
Você poderá nos ajudar?
Desde já agradecemos...
Um abraço carinhoso

Mara Narciso disse...

Achei o casal estereotipado, e a pedra da traição foi cantada sem sutileza. Celamar, há loucos em profusão, e comportamento de mente doente não se prevê, mas acho que você exagerou com a mudança radical do marido em relação a uma única pessoa. Mas também não vou duvidar de que seja possível ausência de ciúme seletiva, já que é muito comum a amnésia seletiva. E dessa eu entendo...risos...

tossan® disse...

Que sujeito bobão! Mulher quando se solta é igual a passarinho que sai da gaiola. Muito bom! Bj

LuCordeiro, disse...

Eita conto bom! Não há dúvida que todo o ciumento um dia será corno.Naquele meu caso com o "cavalariço" louco de ciúme,aconteceu. Qdo eu conseguia sair fora,trai algumas vezes.E não foi por paixão,foi por raiva... hehehe.O fdp vivia vasculhando minhas coisas,meu celular,até meu lixo.Afff... Um inferno! E levou um chifrão (mais que um) bem merecido.E nunca arriscaria me apresentar a um Joaquinzinho pq tinha ciúme até da sombra.E ficava violento qdo o ciúme batia,vc sabe.O que ele conseguiu? Ser corno e levar o pé na bunda.
Bjsss

Orlando Dias disse...

Ciumes nao e bom nao..

Anônimo disse...

Corno e sempre assim

valdir ferrao disse...

eu, era assim, minha mulher colocou varios chifres, não tem jeito, casei com uma mulher muito gostosa