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16 de nov de 2009

SEGREDO DE FAMÍLIA



Final de expediente. Horácio bebia com os amigos num bar no Centro da Cidade quando olhou para a mesa perto do banheiro e engoliu em seco: “O que a filha da puta da Ritinha tá fazendo aqui com outro homem? “. Deixou os amigos conversando e se aproximou da mesa em que estava a esposa. Segurou-a pelo braço:

- Quem é esse cara? Tá pensando que eu sou o quê? Me traindo na minha cara?

O acompanhante da mulher se levantou aborrecido.

- Qual é a sua? Quem é você?
- Sou o marido dela .
- Marido? Não sabia que você era casada!

A mulher se levantou colocando a mão na cintura.
- Que história é essa de marido? Nunca vi você na minha vida!
- O que é isso Ritinha? Tá me estranhando?
- Quem está me estranhando é o senhor. Nunca o vi. Por favor, retire-se ou chamo o segurança.

O garçom se aproximou.

- Algum problema?

Para evitar escândalos, principalmente na frente dos colegas de trabalho, Horácio disfarçou:

- Não é nada. É apenas uma dúvida que estou tirando.

A mulher mexeu nos cabelos nervosamente e olhou de lado para Horácio.

-Então faça o favor de se retirar .
- Ritinha, pára de palhaçada. Vamos embora juntos.
- Já lhe disse que meu nome não é Ritinha.

O acompanhante chegou mais perto de Horácio.:

- Ela não se chama Ritinha. E se o senhor não se retirar agora, vou chamar o segurança.

Em dúvida, Horácio voltou a sentar-se com os amigos.

- E aí, Horácio? Conhecidos?

- É. É – respondeu sem graça e cabisbaixo.

Passou o resto da noite calado. “Será que bebi demais?” – pensou. “ Amulher é a cara da Ritinha”. Chegou em casa dez da noite. Ritinha estava na sala lixando as unhas.

- Isso são horas?

- Eu é que pergunto se tenho cara de palhaço! Tenho?
- Você está se sentindo mal Horácio? Que história é essa?
- Ritinha, me diz a verdade. Juro, não vou brigar com você. Seja sincera!
- Que verdade?
- Juro que não brigo com você.
- Tá vendo o que dá beber demais? Pode me contar o que está acontecendo?
- Eu vi você no bar do Aníbal com outro homem e você disse que você não era você.
- Surtou, Horácio?
- Era você, né? Fala. Não vou brigar.


Ritinha passou a língua pelos lábios, coçou a cabeça e fez cara de suspense. Horácio insistiu:

- Era você?
-Não. Era a Regina!
- Regina? Que Regina? Não conheço nenhuma Regina.


Ritinha começou a chorar. Olhou para a televisão apagada e perdeu-se em pensamentos.

O marido sacudiu a mulher :
- Fala, quem é Regina?
- Minha irmã gêmea.
- Você nunca teve irmã gêmea.
- Era segredo. Minha mãe me fez prometer que eu nunca contaria nada. Quebrei a promessa.
- Mas por quê? Sou seu marido. Quero saber de tudo!
- Mamãe deu a Regina para outra família quando fizemos um ano. Não podia ficar com as duas.


A mulher contou chorosa a triste história da família. Comovido, Horácio desculpou-se com a esposa pelas desconfianças. No dia seguinte, enquanto tomavam café, o marido comentou:

- Se eu encontrar a Regina novamente, vou falar de você, tá bom?
- Nunca! Ela não sabe da minha existência. Não perdoaria mamãe.
- Ela vai ficar feliz quando souber que tem uma irmã gêmea – argumentou.
- É um segredo de família. Morre aqui.


Horácio chegou no trabalho frustrado. Queria reaproximar Ritinha e Regina. Durante uma semana, depois do expediente, passava no bar, esperando encontrar a gêmea da esposa. Um mês depois, quando andava pela Sete de Setembro, viu a gêmea saindo de uma loja . Aproximou-se, segurando-a pelo braço:

- Desculpe, não sei se lembra de mim. Bar do Aníbal.

Ela fechou o rosto :

- Lembro . O que o senhor quer dessa vez?
- Desculpe, Seu nome é Regina e não Ritinha. O garçom me contou – mentiu.
- Tá desculpado.
- Para eu acreditar nas suas desculpas, aceita  um café?


Sentaram-se num bar perto do metrô. De início estavam encabulados. Meia hora depois pareciam íntimos. Passaram a se encontrar durante o almoço às sextas-feiras. Horácio impressionava-se com Regina. Achava a gêmea mais bem-humorada que a esposa. Manteve os encontros em segredo. Numa quinta-feira, no final da tarde, Regina o convidou para um happy hour. Aceitou. Encontram-se. Sorridente, Regina mostrou:

- Trouxe uma coisa e quero que você veja!

Tirou da bolsa um baby doll vermelho.

- Que tal? É bonito? – disse com um ar ingênuo cheio de sensualidade.

Horácio ficou confuso. Ele e Ritinha não faziam sexo há quase seis meses . “Fazer sexo com a irmã gêmea dela?” – pensou. “Não, loucura. loucura”. Ela tomou a iniciativa. Ele seguiu os instintos. Quando percebeu, estavam subindo as escadas de um motel no centro da cidade. Entraram no quarto em silêncio. Regina vestiu o baby doll. Viveram momentos de prazer. Oito da noite. A mulher olhou o relógio, assustada:

- Tenho que ir pra casa, meu marido me espera!
- Quando vamos nos ver novamente? – perguntou Horácio com ar apaixonado.
- Semana que vem. Já vou. Tenho pressa.


Despediram-se. Horácio foi tomar banho sonhando com novo encontro. A mulher entrou no táxi e deu o endereço :

- Rápido, moço. Por favor.


O celular tocou . Atendeu contrariada :

- Fala mãe!

A mãe gritava. A mulher deu um sorriso e respondeu calmamente:

- Quem é Regina???? Ahhhhhhh mãe, já sei, o Horácio foi falar com você?!
-Sim e eu quero saber quem é Regina . Você nunca teve irmã.
- O que você falou com ele, mãe?
- Nada. Disfarcei e não respondi .

- Então fica calma. Amanhã lancho com a senhora e conto tudo. É uma longa história.

O táxi chegou. Ritinha pagou o motorista e saiu do carro cantarolando!

4 comentários:

tossan® disse...

Este livro também vou querer, Gosto muito destes contos que você faz. Me lembra um antigo chamado Homero Homem se eu não me engano este é o nome.... Muito bom! Beijo

Se o "se" não tivesse ficado só no "se" disse...

Ah, eu já adivinhei o final da história lá no começo....não teve muita graça pra mim, mas o conto é bom...e criativo...

Tatiana disse...

Ahhhhhh... Essa Ritinha é fantastica!
Que perspicácia heim?
Reavivou a vida sexual...

Adorei!

Beijos com meu carinho

Anônimo disse...

kkkkk gostei vou fazer isso um dia kkkkkkkkk